Empoderamento feminino e afirmação étnico-racial negra na escola: discursos de resistência no audiovisual Ana

Autores

  • Neiva de Souza Miranda Mestra pelo Programa de Pós-Graduação em ensino, Linguagem e Sociedade pela Universidade do estado da Bahia
  • Douglas Lima Rodrigues Mestrando pela Programa de Pós-Graduação em Ensino, Linguagem e Sociedade pela Universidade do Estado da Bahia.

DOI:

https://doi.org/10.47209/2594-4916.v.12.n.2.p.99-117

Palavras-chave:

Análise de Discurso, Decolonialidade , Educação Antirracista

Resumo

A presente pesquisa tem por objetivo apresentar uma análise de discurso do curta-metragem Ana (2017), por meio dos conceitos de formação discursiva e ideológica, conforme as produções do teórico francês Michel Pêcheux. Como base analítico-epistemológica, o trabalho apoia-se nos estudos Antirracistas e Decoloniais para pensar nas formações discursivas e ideológicas presentes no audiovisual Ana (2017), investigando, na materialidade verbo-visual, possíveis efeitos de sentido que promovem o empoderamento feminino e a afirmação da identidade étnico-racial negra na escola. A metodologia desta pesquisa segue os procedimentos da Análise do Discurso, a partir das contribuições de Eni Orlandi (2020). A análise demonstrou a relevância das formações discursivas e ideológicas na compreensão de como os discursos produzem efeitos de sentidos que podem promover o empoderamento feminino e a afirmação identitária étnico-racial negra na escola, através de uma educação que paute a descolonização e o antirracismo enquanto teoria e prática na desconstrução de formações discursivas racistas.

Biografia do Autor

  • Neiva de Souza Miranda, Mestra pelo Programa de Pós-Graduação em ensino, Linguagem e Sociedade pela Universidade do estado da Bahia

    Mestra em Ensino, Linguagem e Sociedade pela Universidade do Estado da Bahia - UNEB (2023), graduada em Letras - Português pela Universidade do Estado da Bahia (2014), graduada em Pedagogia pela Faculdades Integradas Ipitanga - FACIIP (2019) é especialista em Metodologia da Alfabetização e Letramento pela Faculdade Batista Brasileira - FBB, Já exerceu as funções de Diretora escolar e Coordenadora Pedagógica, também foi Secretária Municipal de Assistência Social no Município de Malhada de Pedras. Atualmente trabalha na coordenação pedagógica no CETIRB - Centro Educacional de Tempo Integral Rui Barbosa - Ensino Fundamental Anos Finais em Malhada de Pedras - BA. Tem experiência na área de ensino nos anos iniciais, finais e médio, com ênfase em Português e integra ao grupo de pesquisa AUDiscurso Laboratório de Estudos do Audiovisual e do Discurso (UNEB).

  • Douglas Lima Rodrigues, Mestrando pela Programa de Pós-Graduação em Ensino, Linguagem e Sociedade pela Universidade do Estado da Bahia.

    Graduado em Letras, com habilitação em Língua Inglesa e Literaturas pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), é mestrando no Programa de Pós-Graduação em Ensino, Linguagem e Sociedade da mesma instituição. Especializa-se em Linguística Aplicada e Ensino de Línguas pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), além de possuir especializações em Metodologias de Ensino da Língua Portuguesa e Literaturas, bem como em Língua Inglesa. Durante sua formação acadêmica, participou de projetos de iniciação científica e programas de monitoria, atuando na docência de disciplinas ligadas aos estudos linguísticos e culturais. Exerceu atividades como bolsista em programas institucionais de ensino e formação docente, além de lecionar na rede pública municipal de Caetité (BA). Seus interesses de pesquisa transitam pelas áreas de Linguagem, Linguística Aplicada, Estudos Étnico-Raciais, Identidade de Gênero, Sexualidades e discursos contra-hegemônicos. No campo literário, dedicou-se ao estudo da obra de Elizabeth Bishop sob a perspectiva da crítica genética e da filosofia deleuziana. Integra o grupo de pesquisa AUDiscurso Laboratório de Estudos do Audiovisual e do Discurso (UNEB), desenvolvendo investigações pautadas em epistemologias decoloniais, transfeministas e em abordagens críticas das subjetividades marginalizadas no âmbito educacional.

Referências

AKOTIRENE, C. Interseccionalidade. São Paulo: Sueli Carneiro/Pólen, 2020.

ALMEIDA, S. Racismo estrutural. São Paulo: Editora Pólen Livros, 2019.

ANA. Direção: Vitoria Felipe dos Santos. Wolo tv: Oficinas Querô, 2017. (16:38 mim).

BERNARDINO-COSTA, J. et. al. (orgs.). Decolonialidade e pensamento afrodiaspórico Belo Horizonte: Editora Autêntica, 2019. 366 p.

BERTH, Joice. Empoderamento. São Paulo: Sueli Carneiro; Pólen, 2019.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 05 de outubro de 1988. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm> . Acesso em: 05 ago. 2025.

BRASIL. Lei nº. 10.639 de 09 de janeiro de 2003. Inclui a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira no currículo oficial da rede de ensino. Diário Oficial da União, Poder Executivo Brasília, 2003.

BRASIL. Lei nº. 11.645/08, de 10 de março de 2008. Altera a Lei nº 9. 394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece o estudo da História e da Cultura Africana, Afro-Brasileira e Indígena. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, 2008.

BRASILEIRO, C. Quando o sol aqui não mais brilhar: a falência da negritude. São Paulo: N-1 edições; Editora Hedra, 2022, 100p.

FRANZ, Fanon. Pele negra, máscaras brancas. EDUFBA, Salvador, 2008.

GOMES, N. O Movimento Negro e a intelectualidade negra descolonizando os currículos. In: BERNARDINO-COSTA, J.; MALDONADO-TORRES, N.; GROSFOGUEL, R. (org.). Decolonialidade e pensamento afrodiaspórico. Belo Horizonte: Autêntica, 2020. p. 223-246.

HOOKS, b. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. São Paulo: Martins Fontes, 2013.

HOOKS, b. Tudo sobre o Amor: novas perspectivas. São Paulo:Elefante, 2021.

JODAS, J.; VIEIRA, P.; MEDEIROS, P. Uma década da Lei 10.639/03: Perspectivas e desafios de uma educação para as relações étnico-raciais. Paco Editorial, 2016. 304 p.

KILOMBA, G. Memórias da plantação. Rio de Janeiro: Cobogó; 2020.

MALDONADO-TORRES, N. Analítica da colonialidade e da decolonialidade: algumas dimensões básicas in: Bernardino, C. et.al. (Orgs.) Decolonialidade e pensamento afrodiaspórico. Belo Horizonte; Editora Autêntica, 2020.

MOREIRA, A. Racismo Recreativo. São Paulo: Sueli Carneiro; Polén, 2019, 223p.

NASCIMENTO, L. Transfeminismo. São Paulo: Jandaíra, 2021.

OLIVEIRA, L; CANDAU, V. Pedagogia decolonial e educação antirracista e intercultural no Brasil. Educ. Rev. Belo Horizonte, v. 26, n. 01, p. 15-40, abr. 2010. Disponível em <http://educa.fcc.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010246982010000100002&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em 01 ago. 2025.

ORLANDI, E. Análise de Discurso: princípios e procedimentos. 13ª ed. Campinas, SP: Pontes, 2020.

PÊCHEUX, M. Semântica e Discurso - uma crítica à afirmação do óbvio. Campinas, Editora Unicamp, 1995.

PÊCHEUX, M. Análise Automática do Discurso. In: F. Gadet & T. Hak (Orgs.), Por uma análise automática do discurso: uma introdução à obra de Michel Pêcheux (pp. 61-161). Campinas: Editora da Unicamp. (Original publicado em 1969).

RIBEIRO, D. Pequeno manual antirracista. São Paulo: Cia das Letras, 2018, 135p.

SANTOS, J. Produções discursivas do horror: materialidade fílmica e memória na trilogia de Zé do Caixão. Tese (Doutorado) - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Faculdade de Ciências e Letras (Campus de Araraquara), 2014. Disponível em: <http://hdl.handle.net/11449/123253>.

SANTOS, S. Uma história de Dilma Rousseff em imagens na mídia. 2014. Tese (Doutorado em Linguística) – Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2014.

SOUZA, N. Tornar-se negro. Rio de Janeiro: Graal, 1983 [2021].

VOTRE, S. Análise do Discurso. 1. ed. 2019. 160p.

Downloads

Publicado

25/12/2025