O feminino entre heranças e silêncios: a transmissão do trauma em Volver
DOI:
https://doi.org/10.47209/169x3s77Palavras-chave:
transgeracionalidade , violência de gênero, Psicanálise, VolverResumo
Este artigo analisa a representação do feminino no filme Volver (2006) de Pedro Almodóvar, a partir de uma leitura que articula cinema, linguagem e psicanálise. Considerando o filme como uma insígnia cultural, investiga-se a construção narrativa das personagens femininas e os modos pelos quais a memória, a herança simbólica e a transmissão transgeracional da violência de gênero se inscrevem discursivamente. A análise privilegia a tríade filha–mulher–mãe encarnada na personagem Raimunda, observando como o enredo cinematográfico elabora silenciamentos, repetições e rupturas no interior das relações familiares. Em diálogo com a clínica psicanalítica da urgência subjetiva, o artigo discute como determinadas experiências narradas no cinema encontram ressonância na escuta clínica, evidenciando a persistência de marcas simbólicas ligadas à violência e à transmissão psíquica entre gerações. Conclui-se que Volver constrói uma narrativa do feminino que desloca leituras moralizantes ou paternalistas, permitindo compreender a linguagem cinematográfica como espaço de elaboração simbólica e reinscrição subjetiva das experiências de violência.
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