Revista Culturas & Fronteiras Volume 13 Nº 1- Dezembro/2025
Grupo de Estudos Interdisciplinares das Fronteiras Amazônicas - GEIFA /UNIR
Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Rondônia
Disponível em: https://periodicos.unir.br/index.php/culturaefronteiras/index
A FRONTEIRA SUBJETIVA ENTRE A PRÁTICA, DESAFIOS E
CRENÇAS PEDAGÓGICAS NA ALFABETIZAÇÃO E USO DE
TECNOLOGIAS
EL LIMITE SUBJETIVO ENTRE LA PRÁCTICA, LOS DESAFÍOS Y LAS
CREENCIAS PEDAGÓGICAS EN LA ALFABETIZACIÓN Y EL USO DE
TECNOLOGÍAS
Rosely Tavares
1
Zuila Guimarães Cova dos Santos
2
Resumo: Neste artigo foi realizado uma pesquisa bibliográfica de natureza qualitativa,
desenvolvida a partir da análise de 20 produções selecionadas de um universo de 101
estudos de revisão produzidos no período de 2012 a 2025. Foram selecionados
trabalhos considerando a relevância temática, a recorrência dos autores nas citações
e a pertinência dos estudos ao campo da educação, com foco em periódicos
indexados na Scielo, repositórios acadêmicos e revistas especializadas nacionais. A
análise buscou compreender as fronteiras subjetivas entre as crenças, as práticas
pedagógicas e os desafios enfrentados pelos professores na efetivação de
apropriação no uso de tecnologias em práticas docentes. Através da discussão e
resultado, pôde identificar que a integração das tecnologias no ensino apresenta grande
potencial pedagógico, mas enfrenta desafios que envolvem diretamente as crenças de
autoeficácia dos professores. Docentes com maior confiança tendem a adotar práticas mais
inovadoras e persistem diante das dificuldades. As tecnologias, quando bem aplicadas,
favorecem o engajamento dos alunos, o desenvolvimento crítico e a aprendizagem lúdica,
mas exigem a mediação criteriosa dos professores. A formação docente continuada e políticas
educacionais eficazes são essenciais para superar obstáculos e promover uma alfabetização
digital de qualidade.
Palavras-chave: Tecnologia; Alfabetização; Desafios Docentes; Crenças de
autoeficácia.
1
Mestranda no Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação Inclusiva em Rede
Nacional PROFEI . Fundação Universidade Federal de Rondônia -UNIR- Ji-Paraná.
2
Doutora em Geografia pela Universidade Federal do Paraná - UFPR. Professora da Universidade
Federal de Rondônia UNIR.
2
A FRONTEIRA SUBJETIVA ENTRE A PRÁTICA, DESAFIOS E CRENÇAS
PEDAGÓGICAS NA ALFABETIZAÇÃO E USO DE TECNOLOGIAS
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ABSTRACT
This article conducted qualitative bibliographic research, based on the analysis of 20
papers selected from a universe of 101 review studies produced between 2012 and
2025. Papers were selected based on thematic relevance, author recurrence in
citations, and their relevance to the field of education, focusing on journals indexed in
Scielo, academic repositories, and national specialized journals. The analysis sought
to understand the subjective boundaries between beliefs, pedagogical practices, and
the challenges faced by teachers in effectively appropriating the use of technologies in
teaching practices. Through the discussion and results, it was possible to indicate that
the integration of technologies in teaching has great pedagogical potential, but faces
challenges that directly affect teachers' self-efficacy beliefs. Teachers with greater
confidence tend to adopt more innovative practices and persist in the face of
Keywords: Technology; Literacy; Teaching Challenges; Self-efficacy Beliefs.
Introdução
A integração das tecnologias digitais ao processo educacional tem se
consolidado como um dos principais pilares para o desenvolvimento de práticas
pedagógicas inovadoras. No contexto da alfabetização as tecnologias configuram-se
como instrumentos mediadores que ampliam as possibilidades de ensino e
aprendizagem, promovendo maior engajamento, acessibilidade e personalização do
processo educativo. Moran (2007) destaca que as tecnologias digitais não devem ser
vistas apenas como ferramentas de apoio técnico, mas como mediadoras efetivas da
aprendizagem, capazes de transformar a prática pedagógica. Segundo o autor, o uso
intencional e criativo das tecnologias favorece a construção do conhecimento de forma
colaborativa, estimulando o pensamento crítico, a autoria e a participação ativa dos
alunos. Moran (2007) argumenta que o professor deixa de ser o centro do processo
para tornar-se um facilitador, mediando as interações entre os alunos e os múltiplos
recursos disponíveis, promovendo a autonomia e a personalização da aprendizagem.
No campo da alfabetização, esse papel mediador das tecnologias contribui
significativamente para tornar o processo mais atraente e adaptado às necessidades
de cada estudante, especialmente os que apresentam dificuldades cognitivas.
Contudo no ambiente escolar o uso de ferramentas tecnológicas ainda
encontra desafios. Para Moram (2007) a maior dificuldade encontrada pelos
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educadores está em caminhar para uma educação que integrem o ser humano como
um todo, aspectos emocionais, sensorial, intelectual, éticos e tecnológicos
desenvolvidos em si mesmos, para que possam ser agentes de transformação em
outros. E assim transitar entre o pessoal e o social e expressar isso através de uma
constante prática evolutiva. A descrição de Moran, cabe de forma perfeita ao perfil do
professor capaz de buscar formas não somente prazerosas e criativas de ensinar e
levar seu aluno a aprender, mas estar atento a ações que possibilitará a inserção com
paridade e equidade de todas as pessoas as novas exigências da atualidade
Em suma, a transição para uma educação mais digital e o uso de tecnologias
na alfabetização dependem criticamente de investimento na formação de professores,
não apenas de ordem técnica, mas também na capacidade pedagógica de mediar a
tecnologia de forma crítica, criativa e alinhada aos objetivos de aprendizagem,
transpondo a barreira existente pela falta de infraestrutura reforçada pelas barreiras
subjetivas de crença e insegurança.
O presente trabalho busca estabelecer uma relação através de levantamento e
analise de estudos realizados, compreender as fronteiras subjetivas entre as crenças,
as práticas pedagógicas e os desafios enfrentados pelos professores na efetivação
de práticas pedagógicas mediadas por recursos digitais.
2 FERRAMENTAS DIGITAIS NA ALFABETIZAÇÃO
A utilização de ferramentas tecnológicas é uma prática totalmente inevitável
em todas as áreas de sociedade. No cotidiano usamos a tecnologia como aliada para
resoluções de problemas rotineiros, doméstico e práticos bem como para auxiliar na
compreensão e resolução de problemas mais complexos da sociedade. Dentro do
ambiente escolar as práticas tecnológicas vêm tentado abrir espaço como ferramenta
facilitadora da aprendizagem e da prática docente. Para Moran (2015), o uso das
tecnologias digitais pode transformar a sala de aula em um espaço mais interativo e
significativo, ao integrar recursos como vídeos, jogos, plataformas digitais e editores
colaborativos, os professores conseguem promover múltiplas formas de letramento,
favorecendo a autonomia e a motivação dos estudantes.
De uma forma mais especifica, conforme estudo realizado nesse trabalho, as
práticas envolvendo tecnologias nos anos iniciais da escolarização dentro do processo
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de alfabetização pode ser considerada uma prática pedagógica recente, acelerado e
intensificada pela pandemia convid-19 (LUIZ e MANDÚ 2020). Conforme aponta Silva
(2020) houve uma aceleração no uso de plataformas e mídias digitais na educação, o
que em um momento histórico em condições consideradas normais poderia levar anos
para acontecer.
Embora as tecnologias digitais estejam presentes no cotidiano da nova geração
desde cedo, a sua integração significativa, organizada e obrigatória no processo de
alfabetização como uma exigência educacional, mediada por plataformas e softwares,
é uma característica da educação atual e relativamente recente. (SANTANA E
SANTOS, 2018)
Corroborando com tal afirmação ao realizar levantando de estudos feitos nos
últimos dez anos e uma análise desses dados buscando identificar a somatória de
publicação feitas nesses últimos anos sobre o tema. O gráfico mostra um crescimento
significativo das publicações realizadas a partir do ano de 2019 possivelmente
impulsionado, pelo evento global que vivenciados através da pandemia da COVID-19,
quando todos foram forçados, inclusive a educação a utilizar as ferramentas digitais e
tecnológicas para dar continuidade ao desenvolvimento de suas atividades.
Demonstrando, ainda o pico maior das publicações em 2024, o que sugere maior
interesse por práticas e estudos sobre o tema alfabetização e uso de ferramentas
digitais, conforme ilustra o gráfico abaixo:
Gráfico (1)
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Apesar de ter se tornado uma prática mais abrangente muito recentemente,
os estudos acadêmicos que foram realizados, ainda que escassos, sugerem que a
utilização de ferramentas digitais no processo de alfabetização geram impactos
positivos Silva e Petry (2018) observam que os jogos digitais, ao serem trabalhados
com o uso social da leitura e da escrita, possibilitam a participação ativa do educando
no processo da sua aprendizagem, garantindo um espaço onde o estudante não
aprenderá apenas a ler e a escrever , mas terá oportunidade de buscar, compreender
e transformar informações. Assim os jogos digitais como ferramentas de alfabetização
podem proporcionar ambiente atraente e interativo que capturam a atenção e
oferecem desafios, que instiga o pensamento e a ação e oferecem um ambiente mais
divertido para a aprendizagem. Para além dos jogos o uso do computador na
alfabetização como indica Glória (2012) pode transformar o ato de escrever e ler,
introduzindo novos aspectos cognitivos, estimulando a reflexão sobre aspectos
gráficos como acentuação e pontuação, Santana e Santos (2018) relatam um impacto
positivo no desempenho dos estudantes, com aumento de engajamento, motivação,
atenção, colaboração e compartilhamento de estratégias, além de melhora na
coordenação motora e desenvolvimento cognitivo. A própria Base Nacional Comum
Curricular (BNCC) (2018) inclui as Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação
(TDIC) como parte fundamental do processo de aprendizado da língua, capacitando
os alunos a usar a leitura e a escrita para argumentar, produzir conhecimento e atuar
criticamente na sociedade. Gomes e Luz (2018) afirmam que jogos digitais, tablets e
smartphones facilitam o envolvimento das crianças e podem dar um novo sentido à
prática de ensino, mediando relações sociais e diversificando conhecimentos, sendo
o trabalho com essas ferramentas considerado produtivos e que despertam o
interesse nos alunos.
2.1 TECNOLOGIAS E DESAFIOS DOCENTES
O levantamento realizado aponta para a importância e resultados no uso de
tecnologias na sala de aula e também salientam os principais desafios para efetivação
dessa prática como cotidiana nas escolas. O estudo realizado por Silva e Petry (2018)
mostra que apesar dos estudantes já estarem familiarizados com uso de tecnologias
e mídias, não apresentam familiaridade com jogos educativos, ou utilizam de maneira
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inadequada, o levantamento realizado em vários portais que disponibilizam jogos
educativos, mostram que em grande maioria, os jogos não tem interface agradável, a
ludicidade e o estímulo à liberdade de pensar está reduzida, pelo contrário, são jogos
que repetem atividades mecânicas como arrastar letras que completam as palavras
ou que possibilitem a leitura de sílabas e jogos com baixo nível de desafio.
Outra barreira apontada é a falta de infraestrutura dos próprios espaços
educativos escolares, a falta de acesso à internet de qualidade das escolas públicas
bem como a dispositivos e espaços adequados e necessários para que essa prática
ocorra (AMORIM 2024), além de dificuldades como práticas metodológicas prontas,
engessadas e inflexíveis, falta de apoio pedagógico, superlotação em sala de aula e
a atuação de gestores cuja formação e sensibilização para a inclusão de novas
práticas pedagógicas, ainda são insuficientes, observa-se ainda, que muitos sistemas
educacionais mantêm um distanciamento significativo em relação aos processos
educativos inovadores, o que vem somar ao descompasso do próprio conhecimento
docente sobre o manuseio de dispositivos digitais e de como usa-los como
ferramentas pedagógicas, tornando-se necessário o professor inovar em sua prática
docente adequando-se às necessidades de uma geração que já nasce interligada em
um mundo digital e tem uma relação flexível com as novas tecnologias, mas que
precisam de mediação, assim esse professor mediador das novas tecnologias dentro
de uma perspectiva alfabetizadora deve agir de maneia a incentivar o estudante a
fazer uso da leitura e escrita nesse espaços, e assim os jogos digitais possam ser
utilizados como uma ferramenta de letramento (SILVA E PETRY 2018) .
Dentre os desafios docentes do professor alfabetizador para apropriação das
ferramentas tecnológicas dentro da sala de aula, e especificamente como suporte
para alfabetização e letramento, é notório as lacunas do conhecimento do docente
nessa área, tanto na formação inicial, quanto na formação continuada. Estudos
apontam para obstáculos significativos em formações específicas focadas em como
elaborar e intervir no processo de aprendizagem dos alunos utilizando as tecnologias
(GOMES E LUZ 2020). Os cursos de formação nesse sentido o podem gerar
distanciamentos das necessidades dos professores, principalmente professores
alfabetizadores, essas formações devem garantir espaços para práticas e estudos
sobre as mídias e sobre a sua apropriação no cotidiano escolar. Soares e Almeida
(2020) apresenta um estudo com foco em uma proposta de formação docente em
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práticas de letramento digital, buscando uma reconfiguração dos processos de ensinar
e aprender, trilhando caminhos na busca por superar esses desafios, insegurança e
resistência na formação e apropriação tecnológica por parte dos professores, bem
como a superação de crenças limitantes que ainda permeiam o imaginário cultural dos
docentes bloqueando novas experiências.
2.2 CRENÇAS DE AUTOEFICIÊNCIA E USO DE TECNOLOGIAS POR
PROFESSORES
Diante de mais um desafio perante tantos outros e de toda ordem que
permeiam sua prática, o professor alfabetizador precisa encarar com um pouco mais
de coragem suas próprias crenças. Assim, discorreremos sobre o comportamento do
professor ao utilizar ferramentas digitais em suas práticas educativas, tendo em vista
sua percepção do quanto se julga capaz em se apropriar dessas inovações. o
levantamento feito buscou trabalhos que considerassem as crenças de autoeficácia,
estudando o comportamento do professor perante o desafio tecnológico na prática de
sala de aula. De acordo com Bandura (1994), a autoeficácia é a "crença do indivíduo
na sua própria capacidade para organizar e executar cursos de ação necessários para
produzir certas realizações". Em uma pesquisa realizada por Alvarenga (2014)
mostrou-se dentro do contexto educacional, que professores com crenças de
autoeficácia mais sólidas tendem a lidar melhor com situações adversas, adaptam-se
mais rapidamente a mudanças curriculares, são mais comprometidos com o ensino e
mais propensos a introduzir práticas inovadoras. Seu estudo mostrou maior
autoeficácia em professores que utilizavam computadores em seu cotidiano, sendo
mais motivados, despendem mais esforços e persistem em tarefas que envolvem o
uso de tecnologias (ALVARENGA, 2014).
A crença que não conseguem ou que não sabem utilizar as tecnologias em
sala, para enriquecer sua metodologia e currículo, ainda é um grande entrave e
empecilho, gerando insegurança de professores alfabetizadores apesar de
acreditarem no potencial das tecnologias digitais, como jogos e computadores, para
contribuir com o letramento no processo de alfabetização. Essa percepção sobre sua
própria capacidade no uso de tecnologia no processo de alfabetização influencia a
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prática do professor na medida que cria barreira subjetiva ao uso da tecnologia. Para
Amorim (2024) essas crenças dos professores é uma "barreira de segunda ordem" e
se apresenta como um dos maiores desafios na integração bem-sucedida da
tecnologia educacional. O autor apresenta as “barreiras de primeira ordem” como
aquelas apresentadas aqui como de infraestrutura e técnicas, porém mesmo
quando recursos disponíveis, a falta de uso por insegurança pelos professores é
um problema, influenciado diretamente quanto ao uso com eficácia da tecnologia em
sala.
O estudo realizado por Alvarenga (2014) ao citar Bandura (1997) apresenta as
principais fontes capazes de levar o professor a superar essas crenças de
insegurança, construindo uma crença de autoeficácia em relação ao uso de
tecnologias, que partem de programas de formação que permitem aos professores
desenvolverem atividades pedagógicas práticas usando diretamente o computador,
que promovam experiências vicárias desenvolvidas através de professores que
observam colegas utilizando tecnologias ou que tenham acesso a exemplos de
práticas bem-sucedidas se sentem mais encorajados e aumentam sua autoeficácia.
Feedback e elogios da equipe escolar e a redução de estados emocionais negativos
contribuem para o aumento da autoeficácia.
Ainda considerando o estudo de Alvarenga (2014) A autoeficácia de
professores quanto ao uso de tecnologias também pode ser influenciada por diversos
fatores como o gênero, idade, área de atuação, tempo de docência, experiência prévia
com o computador, acesso ao computador em casa ou no trabalho e a frequência de
uso. Assim a capacidade de apropriação do professor das tecnologias como como
softwares e aplicativos de jogos digitais, afeta de forma direta na maneira que a leitura
e a escrita são estimuladas e como os alunos fazem uso da língua escrita no contexto
social dentro do uso de tecnologias.
3 METODOLOGIA
O presente trabalho foi desenvolvido através de uma pesquisa bibliográfica de
natureza qualitativa, desenvolvida a partir da análise de 20 produções selecionadas
de um universo de 101 estudos de revisão produzidos no período de 2012 a 2025. A
busca foi realizada através do software Publish or Perish, utilizando a base de dados
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google scholar, através das palavras chave "alfabetização” “ferramentas digitais”
“crenças de auto eficiência” “desafios docentes e tecnologia” Os critérios de seleção
consideraram a relevância temática, a recorrência dos autores nas citações e a
pertinência dos estudos ao campo da Educação, com foco em periódicos indexados
na Scielo, repositórios acadêmicos e revistas especializadas nacionais.
A partir da leitura exploratória e crítica, as produções foram organizadas em
três categorias temáticas: (1) Ferramentas digitais na alfabetização; (2) Tecnologias e
desafios docentes; e (3) Crenças de autoeficácia e o uso de tecnologias por
professores. Essa organização contribuiu para a construção de um panorama das
principais ideias e conhecimentos desses autores que trouxessem resposta
evidenciando, por um lado, o potencial das tecnologias como instrumentos de apoio
ao processo de alfabetização, e, por outro, os entraves vivenciados por docentes no
uso dessas ferramentas, motivados por crenças pessoais, limitações e desafios
estruturais. A análise buscou compreender as fronteiras subjetivas entre as crenças,
as práticas pedagógicas e os desafios enfrentados pelos professores na efetivação
de propostas alfabetizadoras mediadas por recursos digitais.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados obtidos após leitura criteriosa, crítica e analise dos estudos
apresentados pelos trabalhos desenvolvidos nos últimos anos dentro do tema
abordado, fica evidente que os estudos sobre educação e tecnologia, principalmente
aqueles voltados para praticas alfabetizadoras, são relativamente novos
apresentando um crescimento significativo das publicações realizadas a partir do ano
de 2019 possivelmente impulsionado, pelo evento global que vivenciados através da
pandemia da COVID-19, quando todos foram forçados, inclusive a educação a utilizar
as ferramentas digitais e tecnológicas para dar continuidade ao desenvolvimento de
suas atividades. Demonstrando, ainda o pico maior das publicações em 2024, o que
sugere maior interesse por práticas e estudos dentro da área analisada, ainda assim,
apresenta poucos estudos científicos o que pode indicar um campo novo de
necessidades a ser estudada
Outro ponto em destaque no estudo foi a constatação de que a integração das
tecnologias digitais no processo de alfabetização representa um campo de grande
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potencial pedagógico, mas também de muitos desafios, que se interligam diretamente
com as crenças e a autoeficácia dos professores. O foco da discussão e principais
resultados estão interligados entre as crenças de autoeficácia docente, os desafios
enfrentados na apropriação tecnológica e o potencial das tecnologias, no processo
alfabetização.
A literatura destaca através Alvarenga (2014) que as crenças de autoeficácia
docente, ou seja, o julgamento dos professores sobre suas próprias capacidades para
utilizar tecnologias no ensino, influenciam de forma significativa sua prática
pedagógica. Professores com crenças de autoeficácia mais sólidas demonstram maior
capacidade para lidar com situações adversas, adaptações e mudanças curriculares
como a introdução de novas tecnologias, também são mais comprometidos com o
ensino e mais propensos a introduzir práticas inovadoras. Eles são mais motivados, e
mesmo que desafios estruturais ocorram dentro dos espaços escolares, despendem
mais esforço e persistem nas tarefas que envolvem o uso de tecnologias ou inovadora.
Em contrapartida o potencial das tecnologias, de forma especial nas práticas
alfabetizadora surgem através de estudos feitos por Gomes e Luz (2020), Soares e
Almeida (2020) como um potencial significativo para o letramento e a alfabetização.
Aumentar o engajamento e a motivação dos alunos e estimular a leitura e a escrita.
O uso do computador, nesse contexto pode chamar a atenção para diferentes
aspectos gráficos da escrita (acentos, pontuação, maiúsculas/minúsculas) de forma
diferente da escrita manuscrita. O uso das tecnologias também cria um ambiente para
a formação de senso crítico de habilidade para pensar e repensar, ações bem como
utilizar a flexibilidade para a criação de diferentes conteúdos com sons e imagens
promovendo a aprendizagem de forma lúdica e criativa. No entanto, os estudos
também alertam para que a qualidade educacional dos aplicativos sejam verificadas,
sempre trazendo o professor como mediar para que sejam utilizados com objetivos de
aprendizagem.
Emergindo como um dos principais desafios no uso de tecnologias está a
formação docente e políticas educacionais. Para superar esses desafios e aproveitar
o potencial das tecnologias, a formação continuada de professores é imprescindível.
Programas de formação eficazes que possibilitam experiências com manuseio direto
de uso pedagógico do computador e recursos digitais, incluem experiências vicárias,
como a observação de modelos bem-sucedidos utilizando tecnologias em aulas e
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ofereçam apoio contínuo da direção, coordenação pedagógica e toda equipe escolar.
(GOMES e LUZ ,2020)
Em suma, a evolução da educação para uma era digital exige mais do que a
simples organização de espaços e aquisição de equipamentos, requer políticas
públicas comprometidas com a qualidade do ensino, compromisso coletivo com a
formação contínua e contextualizada dos professores, abordando suas crenças de
autoeficácia, fornecendo apoio técnico e pedagógico, e repensando as condições de
trabalho para garantir que os educadores se sintam preparados e motivados a integrar
as tecnologias de forma eficaz e inovadora no processo de alfabetização.
5 CONCLUSÕES
Através do levantamento realizado tornou-se possível identificar algumas
questões pontuais referentes as crenças e as práticas pedagógicas enfrentados pelos
professores mediante sua prática de sala de aula, de uma forma geral relacionada a
todos os docentes. É inegável a existência de uma lacuna significativa na formação
continuada dos professores, que muitas vezes se sentem inseguros e despreparados
para utilizar as tecnologias didaticamente eficaz, de forma a mediar a aprendizagem.
Esses professores percebendo-se menos confiantes em utilizar e avaliar softwares
educacionais. A falta de formação adequada que valorizem a prática aliada a falta de
infraestrutura das escolas, apoio técnico e crenças de que não estão aptos para
trabalhar com a tecnologia, voltando sempre para práticas metodológicas engessadas
e poucos inovadores, geram um grande entrave para que as práticas com uso da
tecnologia na educação não evoluam de forma significativa.
Mesmo com o avanço do uso de tecnologias educacionais, especialmente no
contexto pós-pandêmico, observa-se que seu uso ainda não se consolidou de maneira
expressiva, produtiva e funcional no ambiente escolar. Para que essa integração
ocorra de forma significativa, é necessário romper com barreiras tanto estruturais
quanto subjetivas. Assim todas as barreiras apontadas por Amorim (2024)
classificados em três ordens: barreiras de primeira ordem, relacionadas às limitações
técnicas e à infraestrutura; barreiras de segunda ordem, vinculadas às crenças e à
rigidez das práticas docentes; e barreiras de terceira ordem, associadas às políticas
públicas e aos sistemas educacionais necessitam de superação o que exige uma
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abordagem gradual e sistêmica, que valorize a formação docente crítica e
contextualizada.
6 REFERÊNCIAS
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multiletramentos: uma proposta de formação docente em práticas de letramento
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Mato Grosso, v. 34, n. 2, p. 175197, jul./dez. 2020.
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AMORIM, W. B. Análise dos usos das tecnologias digitais contemporâneas e os
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A FRONTEIRA SUBJETIVA ENTRE A PRÁTICA, DESAFIOS E CRENÇAS
PEDAGÓGICAS NA ALFABETIZAÇÃO E USO DE TECNOLOGIAS
Revista Culturas & Fronteiras - Volume 13. Nº 1 - Dezembro/2025
Grupo de Estudos Interdisciplinares das Fronteiras Amazônicas - GEIFA /UNIR
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