¹Acadêmica de Pedagogia da Universidade Federal de Rondônia-Campus Jorge Vassilakis de Guajará-
Mirim.
²Mestra em Educação (PPGE) pela Universidade Federal de Rondônia-Unir. Especialista em Libras e
Educação Especial e Inclusiva e Bolsista Tradutora e Intérprete de Libras da Unir.
³ Professora extensionista da Universidade Federal de Rondônia - Unir com Mestrado em Letras - Unir
e Doutora em Linguística (PPGL) UNEMAT.
Revista Culturas & Fronteiras Volume 13 Nº 1- Dezembro/2025
Grupo de Estudos Interdisciplinares das Fronteiras Amazônicas - GEIFA /UNIR
Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Rondônia
Disponível em: https://periodicos.unir.br/index.php/culturaefronteiras/index
A TRADIÇÃO CULTURAL BOLIVIANA DO FESTEJO DOS TRÊS SANTOS
CATÓLICOS NA CIDADE DE GUAJARÁ-MIRIM-RO FRONTEIRA
BRASIL/BOLÍVIA
The Bolivian Cultural Tradition of the Feast of the Three Catholic Saints in the city of
Guajará-Mirim, Rondônia, on the Brazil/Bolivia border
La tradición cultural boliviana de la fiesta de los Tres Santos Católicos en la ciudad
de Guajará-Mirim, Rondônia, en la frontera entre Brasil y Bolivia.
Carla Madalena Arza Frazão¹
Caroline Reis Dos Santos²
Ednéia Bento de Souza Fernandes³
RESUMO: Na contemporaneidade, as culturas estabelecem diálogos constantes com
o universo urbano e moderno, com a globalização, as culturas populares tradicionais
não foram suprimidas, mas sim ressignificadas e reinterpretadas. As imigrações de
pessoas bolivianas para a cidade de Guajará-Mirim-RO representam uma dinâmica
identitária e cultural, que é vivenciada diariamente com fluxo migratório tanto de
bolivianos ao lado brasileiro. A pesquisa tem como objetivo geral apresentar a tradição
cultural boliviana do festejo dos três santos católicos na cidade de Guajará-Mirim-RO
fronteira Brasil/Bolívia. Partindo do problema de pesquisa “como acontece a tradição
cultural boliviana dos festejos dos três santos católicos na cidade de Guajará-Mirim-
RO fronteira Brasil/Bolívia?”. Como aporte teórico, recorremos a autores como Águas
(2014) e Hall (2006). Para o percurso metodológico utilizamos da pesquisa qualitativa
e etnográfica, que é uma narrativa que articula a vivência pessoal da autora com o
contexto cultural mais amplo ao qual ela pertence, criando uma intersecção entre o
individual e o coletivo na produção do conhecimento. Desse modo, os festejos dos
três santos católicos na fronteira são uma forma de fortalecer a identidade e a cultura
boliviana, dos imigrantes e descendentes bolivianos, mas também incluem brasileiros
que juntos passam a compartilhar essa interação entre culturas, identidades e
devoção que enriquece esse diálogo na fronteira.
Palavras-chave: Fronteira; Cultura; Festejo religioso.
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Abstract: In contemporary times, cultures establish constant dialogues with the urban
and modern universe. With globalization, traditional popular cultures have not been
suppressed, but rather re-signified and reinterpreted. The immigration of Bolivian
people to the city of Guajará-Mirim-RO represents an identity and cultural dynamic that
is experienced daily with the migratory flow of both Bolivians and Brazilians. The
general objective of this research is to present the Bolivian cultural tradition of the
celebration of the three Catholic saints in the city of Guajará-Mirim-RO, on the
Brazil/Bolivia border. The research problem is "how does the Bolivian cultural tradition
of the celebration of the three Catholic saints occur in the city of Guajará-Mirim-RO, on
the Brazil/Bolivia border?". As theoretical support, we draw on authors such as Águas
(2014) and Hall (2006). For the methodological approach, we used qualitative and
ethnographic research, which is a narrative that articulates the author's personal
experience with the broader cultural context to which she belongs, creating an
intersection between the individual and the collective in the production of knowledge.
In this way, the celebrations of the three Catholic saints on the border are a way to
strengthen the identity and culture of Bolivian immigrants and their descendants, but
also include Brazilians who together share this interaction between cultures, identities,
and devotion, enriching this dialogue on the border.
Keywords: Border; Culture; Religious celebration.
Resume:
En la época contemporánea, las culturas establecen diálogos constantes con el
universo urbano y moderno. Con la globalización, las culturas populares tradicionales
no han sido suprimidas, sino resignificadas y reinterpretadas. La inmigración de
bolivianos a la ciudad de Guajará-Mirim-RO representa una dinámica identitaria y
cultural que se vive a diario con el flujo migratorio tanto de bolivianos como de
brasileños. El objetivo general de esta investigación es presentar la tradición cultural
boliviana de la celebración de los tres santos católicos en la ciudad de Guajará-Mirim-
RO, en la frontera entre Brasil y Bolivia. El problema de investigación es "¿cómo se
desarrolla la tradición cultural boliviana de la celebración de los tres santos católicos
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en la ciudad de Guajará-Mirim-RO, en la frontera entre Brasil y Bolivia?". Como base
teórica, nos basamos en autores como Águas (2014) y Hall (2006). Para el enfoque
metodológico, utilizamos una investigación cualitativa y etnográfica, que consiste en
una narrativa que articula la experiencia personal de la autora con el contexto cultural
más amplio al que pertenece, creando una intersección entre lo individual y lo colectivo
en la producción de conocimiento. De esta manera, las celebraciones de los tres
santos católicos en la frontera son una forma de fortalecer la identidad y la cultura de
los inmigrantes bolivianos y sus descendientes, pero también incluyen a los brasileños
que comparten esta interacción entre culturas, identidades y devoción, enriqueciendo
este diálogo en la frontera.
Palabras clave: Frontera. Cultura. Celebración religiosa.
INTRODUÇÃO
O presente trabalho tem como objetivo apresentar a tradição cultural boliviana
do festejo dos três santos católicos na cidade de Guajará-Mirim-RO fronteira
Brasil/Bolívia. Partindo do problema de pesquisa “como acontece a tradição cultural
boliviana dos festejos dos três santos católicos na cidade Guajará-Mirim-RO fronteira
Brasil/Bolívia?”.
As imigrações de pessoas bolivianas para cidade de Guajará-Mirim
representam uma dinâmica identitária e cultural, que são vivenciadas diariamente com
fluxo migratório tanto de bolivianos ao lado brasileiro, a procura de melhores
condições de vida, e quanto brasileiro que atravessam para realizar o curso de
Medicina no lado boliviano.
Portanto, a tradição cultural boliviana do festejo dos três santos católicos, é uma forma
de apresentar a cultura e identidade boliviana, a partir da religiosidade popular na
cidade de Guajará-Mirim, fronteira com a Bolívia, evidenciando, que mesmo com a
mudança territorial ainda envolve a resistência da identidade cultural boliviana em
território brasileiro. E serve de incentivo aos acadêmicos, descendentes bolivianos e
imigrantes que residem no município.
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O trabalho está organizado em percurso metodológico, Fronteira Brasil e
Bolívia, Identidade cultural dos imigrantes bolivianos, A religiosidade popular, A
história da cidade de San Joaquín, Minha história: a tradição cultural boliviana no
festejo dos três santos católicos da família Arza e as considerações finais.
2. PERCURSO METODOLÓGICO
Para responder a pergunta problema da pesquisa: “como acontece a tradição
cultural boliviana dos festejos dos três santos católicos na cidade Guajará-Mirim-RO
fronteira Brasil/Bolívia?”
Para isso, utilizamos da pesquisa qualitativa e bibliográfica, foi realizado um
levantamento bibliográfico de artigos, dissertações, teses e livros que trabalham a
temática. E também, da pesquisa autoetnográfica, que foi importante para evidenciar
a minha vivência na tradição cultural boliviana no festejo dos três santos católicos da
família Arza.
A pesquisa qualitativa, conforme Minayo (2009), dedica-se ao estudo de uma
dimensão da realidade que não pode ou não deve ser quantificada. Seu foco reside
no universo dos significados, dos motivos, das aspirações, das crenças, dos valores
e das atitudes humanas. Este tipo de investigação busca apreender a complexidade
inerente aos fenômenos, fatos e processos particulares, privilegiando a compreensão
aprofundada das particularidades e especificidades que constituem o objeto de
estudo.
A autoetnografia tem sua raiz etimológica no grego, composta por três
elementos fundamentais: auto (self, que significa "em si mesmo"), ethnos (nação, no
sentido de "um povo ou grupo de pertencimento") e grapho (escrever, referindo-se ao
"ato de construção da escrita"). Essa composição linguística revela a sua própria
origem e a natureza singular dessa abordagem metodológica. Essa abordagem
elaborar um relato escrito (“grafo”) sobre um grupo social específico (“ethnos”), a
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partir da perspectiva subjetiva e experiencial do próprio pesquisador ("auto"). Dessa
forma, a autoetnografia é uma narrativa que articula a vivência pessoal da autora com
o contexto cultural mais amplo ao qual ela pertence, criando uma intersecção entre o
individual e o coletivo na produção do conhecimento (Santos, 2017).
3. FRONTEIRA BRASIL E BOLÍVIA
O termo fronteira tem origem no francês frontière, que se refere à vanguarda
de um exército. Essa palavra, por sua vez, deriva do latim fronte, que significa frente
ou rosto. Essa raiz deu origem também a front, um termo bélico que permaneceu em
português na forma fronte, designando a linha de frente nas batalhas.
Essa distinção apresenta essas dinâmicas da fronteira, seja no sentido militar,
político, no jurídico e administrativo ou no sociocultural e econômico. A fronteira de
Guajará-Mirim e Guayamerín apresentam a noção de fronteira-zona, considerando a
miscigenação e as interações diárias entre os dois lados do rio Mamoré.
Martins (2018) amplia a percepção de fronteira como um espaço de diferenças
culturais e identitárias, mesmo que não dialoguem, mas acontecem os encontros e
desencontros que não convivem no mesmo espaço. A fronteira, enquanto uma linha
geopolítica, também emergem as condições humanas que se confrontam nos limites
fronteiriços.
A pesquisadora Carla Águas (2014) propõe uma abordagem multifacetada do
conceito de fronteira, destacando três conceitos de fronteira: (1) a fronteira como
barreira segregadora, (2) a fronteira como zona de avanço ou expansão (frente), e (3)
a fronteira como espaço de conexão e integração (Águas, 2014, p. 3). A autora
desenvolve esta tríade conceitual da seguinte forma:
[...] O primeiro reúne as abordagens que a descrevem como uma linha
divisória que marca a separação entre diferentes espaços tenham
eles a forma concreta dos territórios nacionais, ou sejam simbólicos,
como a diferenciação de identidades.
Já a fronteira como frente é um espaço que, à semelhança do front de
batalha, avança para ganhar terreno. Vincula-se, portanto, à noção de
frontier. Contrariando a aparente fixidez da concepção anterior, é uma
fronteira em movimento, em progressivo distanciamento do centro. Em
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função desta distância, este é um espaço marcado por certa fluidez e
criatividade, mas também por relações desiguais e pelo poder sem
limites (Ribeiro, 2006).
[...] a fronteira que une revela-se como um lugar de encontro e
negociação. Não é linear, o avança. Portanto, deixa de lado a
concepção de frontier para abraçar a ideia de borderland, que vem
sendo tratada pelos estudos pós-coloniais como espaço in-between.
Esta fronteira pode surgir e desaparecer, mudar de forma, e tem na
fluidez uma das suas principais caraterísticas. Nesse sentido, o aquém
da fronteira é um espaço ocupado, bem como o além da fronteira. E é
na fronteira que esses mundos se encontram (Águas, 2014, p. 3).
O conceito de fronteira é multifacetado, para Águas (2014), a primeira
concepção de fronteira é aquela de demarca e estabelece uma separação entre
países, simbólicas ou com barreiras culturais e identitárias, nessa perspectiva a
fronteira é mecanismo de exclusão e controle. A segunda concepção de fronteira
como frente, remete ao conceito de zona de avanço e conquista, marcada pelo
movimento de expansão territorial e dominação, e está associado ao conceito dos
processos de colonização. A fronteira que une, ela não é vista como uma barreira,
mas um espaço hibrido de culturas, línguas e identidade que me misturam.
A fronteira que destacaremos neste trabalho é a fronteira que une ambos os
países, Brasil, com a cidade de Guajará-Mirim-RO/Brasil e Guayamerín-Beni/Bolívia,
por apresentarem fronteiras que se unem, com trocas identitárias, culturais e
linguísticas.
5. MINHA HISTÓRIA: A TRADIÇÃO CULTURAL BOLIVIANA NO FESTEJO DOS
TRÊS SANTOS CATÓLICOS DA FAMÍLIA ARZA
Nessa seção eu apresento a cultura boliviana da minha família, com o festejo
de três santos católicos: Santa Maria Madalena, Santa Ana e São Joaquim, na qual é
realizado anualmente, mais de 30 anos no município de Guajará-Mirim/RO,
fronteira entre Brasil e Bolívia.
A religiosidade em contexto fronteiriço Guajará-Mirim/Brasil e Guayamerín-
Beni/Bolívia, não é apenas um problema de pesquisa pessoal, mas apresenta uma
realidade social e cultural das cidades fronteiriças. A origem de religiosidade popular
remete ao culto e está presente em todas as civilizações, possibilitando compreender
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a relação desses grupos com as suas crenças e seu modo de relacionar-se em
sociedade.
José Oscar Beazzo, aponta a substituição da expressão “religiosidade popular”
para “práticas religiosas das classes populares”, sendo um “patrimônio de classes
sociais exploradas e oprimidas” (Beozzo, 1982, p. 745). Considerando a cultura do
imigrante boliviano subalternizada, a manifestação religiosa popular aparece como
símbolo de resistência e um patrimônio para avivamento da cultura e identidade
boliviana.
Essa tradição foi trazida pelo meu bisavô, seu Simão Arza Correia, que
atravessou quilômetros e gerações, sempre orgulhosamente muito Patriota. Conforme
relato de minha avó, Fidélia Arza Gualasua, a tradição dos festejos dos santos, teve
origem com os pais de Simão Arza Correa, natural da cidade de Santa Ana, na Bolívia.
Ele esteve envolvido em questões políticas, pelos quais foi perseguido, e veio foragido
de sua cidade natal, trazendo consigo sua família, valores, costumes e tradições que
havia herdado de seus pais.
no Brasil, no município de Guajará-Mirim-RO, na fronteira com
Guayaramirín-Beni/Bolívia, meus bisavó, Simão Arza Correia acompanhado de minha
bisavó Paula Arza de Paula e os doze filhos nascidos na cidade de San Joaquín, e
dois filhos nascidos no Brasil, totalizando catorze filhos. Esses mantiveram presente
suas tradições culturais, com os festejos dos santos, comemorado uma vez ao ano. O
primeiro festejo realizado é o da Santa Maria Madalena, comemorado no dia 21 de
julho. O segundo festejo é da Santa Ana, celebrado no dia 26 de julho. Por fim, o
festejo de Santo São Joaquín no dia 21 de agosto.
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Figura 1-Paula Arza Gualasua e Simão Arza Correia
Fonte: Arquivo da autora (2025)
Ao chegar ao Brasil, no município de Guajará-Mirim, fronteira com Bolívia,
iniciou-se o festejo com a imagem do quadro do santo San Joaquín, e posteriormente,
solicitou a produção dos santos na cidade de Guayaramerín-Beni/Bolívia, onde um
artesão as confeccionou. Devido à restrição da alfândega, ele atravessou a imagem
dos três santos pelo porto clandestino conhecido pelo nome de “Pérola Negra”, ao
atravessarem com os santos no Brasil, em respeito a sua e devoção, levou as
imagens ao bispo da época Dom Geraldo João Paulo Verdier
1
, para realização da
benção.
Figura 2-Primeiro quadro de San Joaquín, trazido por Simão Arza Correa, na qual
iniciou os festejos no município de Guajará-Mirim, Rondônia.
Fonte: Arquivo da autora (2025)
1
Foi nomeado pelo Papa João Paulo II, como Bispo da Diocese de Guajará-Mirim- RO no dia 06/08/1980.
Disponível em: https://dioceseguajaramirim.org.br/dom-geraldo-verdier/. Acesso em: 10 jun. 2025.
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Ressalto que na época, em que os festejos eram realizados na casa de meus
bisavós, o bispo Dom Geraldo Verdier, levavam os padres da França, para conhecer
os festejos, onde eles se encantavam pela cultura boliviana, realizavam várias
fotografias, filmagens em vídeo cassete das danças, tomavam a Chica e perguntava
o modo de preparo, e também realizava entrevistas gravadas no gravador, na qual,
diziam que seria divulgado na revista francesa, a cada ano, novos grupos de padres
e visitantes atraídos pela cultura que tinham conhecidos através do grupo anterior.
Atualmente já falecido, contudo, a tradição se mantém viva até hoje através de
minha avó materna Fidélia Arza Gualasua, uma das responsáveis pela continuidade,
herdeira dos saberes e rituais dos seus ancestrais e tornou-se uma referência aos
imigrantes bolivianos.
Durante muito tempo, quando eu era adolescente, eu não gostava de meu
nome, devido ao preconceito escolar e a sociedade, por isso eu vivia em conflitos com
minha identidade. Nasci no dia 21 de julho, data em que se festeja a Santa Maria
Madalena. E a pedido de minha avó, Fidélia, minha mãe, Carmem Arza Gualasua,
homenageou o nome da santa, razão pela qual me chamo Carla Madalena Arza
Frazão.
Figura 3- Santa Maria Madalena
Fonte: Arquivo da autora (2025)
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Na rua, eu não mencionava que era descendente de bolivianos, pois tinha
vergonha. Porém em casa, eu vivia o mundo da fronteira, durante anos eu tive minha
identidade silenciada, minha asempre me ensinou a ter orgulho de minha origem,
mas eu não sabia como lidar e durante anos eu silenciei a minha identidade. Quando
alguém me perguntava sobre minhas origens, eu dizia que “era descendente de
boliviano, mas brasileira”, minha avó ficava furiosa e triste. Hall (2006, p. 74-76),
destaca a cultura cristalizada de uma nação, obriga as pessoas a escolherem entre
“isso ou aquilo”, no entanto, essa lógica excludente do Outro imigrante boliviano ou
descendente de imigrantes bolivianos, reforça essas dicotomias culturais e identitárias
inconciliáveis, que precisam ser superadas em processos dinâmicos, heterogêneos,
diversos de forma a evitar a atribuição de identidades cristalizadas, estereotipadas e
estigmatizadas, que ocasionam o não sentimento de pertença cultural e identitária.
Portanto, as coisas começaram a mudar de forma espontânea em agosto de
2017, quando realizei uma viagem marcante, uma conexão imediata com minhas
raízes culturais. A partir disso, passei a entender a minha árvore genealógica e, com
o tempo, a valorizar o meu nome. Hoje entendo que meu nome carrega uma história
de devoção, amor e resistência.
Outro fato marcante durante a viagem que vivenciei, foi a maneira como minha
avó se vestia para participar da novena
2
, durante as setes noites, a cada noite ela
trocava de vestido. O modo de se vestir a identificava como pertencente a identidade
cultural de San Joaquín, chamando a atenção tanto dos residentes quanto dos
visitantes. Encantadas pela vestimenta, algumas pessoas pediam permissão para
fotografá-la, elas se emocionavam com as vestimentas e a sua aparência, que as
conectavam a memórias afetivas e lembranças de suas próprias mães e avós, que
muitas das quais já não estavam presentes.
2
O nome “novena” vem do latim novem, que significa novenos, nos quais são realizadas preces públicas ou
privadas com o objetivo de obter graças especiais, em dias consecutivo ou não, sendo possível ser de sete a nove
dias. Disponível em:
https://bibliotecacatolica.com.br/blog/formacao/novenas/?srsltid=AfmBOorjn1q2YNHda8ujBYdF5EZhiQbcpks
Ju1AZG5cto6CI7cmDMDpk. Acesso em: 24 de mai. 2025.
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Figura 4-Minha avó, Fidélia na cidade de San Joaquín-Beni/Bolívia no festejo dos
santos em 2024
Fonte: Arquivo da autora (2025)
Ao retornar dessa viagem, conectei-me com minhas raízes, assumindo minha
identidade e pertencimento cultural, que me modificou intensamente, enxergando a
cultura com outros olhos e, pela primeira vez assumindo com orgulho minha
identidade boliviana até os dias atuais, não mais silencio a minha identidade, uma
herança dos meus ancestrais que agora compartilho com os que convivem comigo.
O festejo iniciou-se no bairro Tamandaré, e com o passar dos anos, foi
transferido ao bairro Serraria, para a nova residência dos meus bisavós. Os devotos,
imigrantes bolivianos, acompanharam a mudança da nova localização com muita fé e
devoção. O festejo de cada santo é festejado na véspera do seu dia, com a
programação de iniciando, a partir das 19 horas da noite, seguido de uma novena com
reza e cânticos, e ao finalizar, iniciava-se a tão espera
O Torito é uma dança tradicional da cultura boliviana, realizada pelos os
homens, que usam na cabeça uma máscara de boi feita de madeira, com decorações
de fitas coloridas, espelho e um pano que cobre da cabeça até a canela. Os
dançarinos, como são chamados, usam dois chocalhos de bronze, presos acima dos
joelhos, que emitem sons marcantes durante a dança. Como sinal de respeito e
tradição utilizam calça comprida. A dança é marcada por movimentos rítmicos de
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ombros e cabeça, que balançam para frente e para trás, em sintonia com a música,
eles também giram em círculos e abaixa a cabeça.
Figura 5-Os dançarinos em companhia das mamas e o chocalho de bronze
Fonte: Arquivo da autora (2025)
A outra dança, realizada pelas mulheres, é chamada de dança das Mamas, as
participantes se vestem com vestidos rodados de cores vibrantes, enfeitados de fitas
e rendas coloridas. Como adereço, utilizam um chapéu de palha decorado de tecido,
espelhos e fitas coloridas que combinam com a roupa.
Figura 6-Grupo feminino de dança, chamado Las Mamas
Fonte: Arquivo da autora (2025)
Elas também carregam um lenço da mesma cor do vestido, uma característica
das integrantes, algumas possuem cabelos longos e pretos, que destacam com o
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penteado tradicional que compõe-se em duas tranças divididas ao meio, que a partir
da metade do cumprimento, é entrelaçado a fita combinando com a cor da vestimenta,
valorizando a identidade cultural.
Isso é acompanhado por muita dança, sica e chicha, seguindo o ritual da
tradição cultural, durante toda a noite era servida uma bebida natural, a Chicha,
servida em copo de vidro. Essa bebida é feita de milho mole. O preparo da Chicha,
tudo é realizado de forma manual, minha avó mesma que realiza o preparo, primeiro
o milho é levado ao sol para “pegar um vento” e depois o milho mole é moído.
Figura 7-Moendo o milho artesanal para o preparo da Chicha
Fonte: Arquivo da autora (2025)
Também é preparado o biscoito de milho salgado que também era feito do
mesmo milho moído da Chica, onde é assado no forno artesanal, também era feito o
biscoito de milho doce, feito do mel da cana de açúcar com cravo e canela, no entanto,
nem sempre se conseguia o mel, sendo deixada de lado. O biscoito chamado de
“Paraguai” era feito da farinha de goma, ovo, cravo e canela este também se deixou
de fazer ambos uma delícia, porém muito delicado de se fazer, mas foram deixando
de se fazer com o decorrer do tempo. Seguindo a tradição da minha avó Fidélia Arza,
que dizia “se a pessoa que está fazendo for ciumenta não se acerta a receita”.
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Figura 8-Biscoito de milho e a produção de pão caseiro e o bolo de trigo
Fonte: Arquivo da autora (2025)
Nos festejos à meia noite, era servido o “chocolate”, como dizia meu bisavô,
uma bebida quente, feita artesanalmente, sendo retirada do caroço do cacau. Seu
sabor incomparável, que todos que bebem, afirmam que nunca haviam tomado algo
parecido, isso é resultado de culinária familiar e herança cultural, devido ao preparo
tradicional.
Figura 9-A semente do cacau para o preparo da bebida do chocolate
Fonte: Arquivo da autora (2025)
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A TRADIÇÃO CULTURAL BOLIVIANA DO FESTEJO DOS TRÊS SANTOS
CATÓLICOS NA CIDADE DE GUAJARÁ-MIRIM-RO FRONTEIRA BRASIL/BOLÍVIA
Revista Culturas & Fronteiras Volume 13 Nº 1- Dezembro/2025
Grupo de Estudos Interdisciplinares das Fronteiras Amazônicas - GEIFA /UNIR
Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Rondônia
Disponível em: https://periodicos.unir.br/index.php/culturaefronteiras/index
Juntamente com uma sacolinha, de guloseimas da culinária boliviana, os
brincantes recebiam o biscoito de milho, o pão com queijo, o pão doce e o bolo do
trigo. À noite todos os brincantes levavam a bebida pinga para tomarem enquanto
dançam o Torito com muita alegria. Os quartos são cedidos para os devotos que
prestigiam e moram distante, pois esse momento é esperado o ano todo para ser
celebrado.
No dia seguinte, o dia do santo, às cinco horas da manhã era servido um prato
típico da Bolívia a patasca, uma sopa feita com os seguintes ingredientes: a cabeça
do boi, a língua do boi, milho de mingau e o tempero da pimenta do reino com cominho
um tempero da culinária boliviana e porções de macaxeira.
Figura 10 - A patasca prato típico do festejo
Fonte: Arquivo da autora (2025)
Às oito horas da manhã, todos saiam em procissão com os três santos,
juntamente com as mamas, as senhoras vestidas com o traje Tipoe, um vestido
enfeitado com rendas e fitas no cabelo que é trançado em duas partes juntamente
com uma fita da mesma cor o chapéu de palha e o lenço na mão da mesma cor, já os
homens com uma máscara de madeira enfeitada com fitas coloridas espelho e o
chocalho entre os joelhos.
Seguindo em procissão para a igreja Cristo Redentor, próxima à casa dos
meus bisavós, todos os devotos imigrantes, revivem a memória de sua cultura
lembrando do país de origem, são acompanhados pela banda de músicos ao vivo e
fogos de artifícios até a chegada a igreja, seguida de uma missa realizada pelo padre,
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A TRADIÇÃO CULTURAL BOLIVIANA DO FESTEJO DOS TRÊS SANTOS
CATÓLICOS NA CIDADE DE GUAJARÁ-MIRIM-RO FRONTEIRA BRASIL/BOLÍVIA
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Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Rondônia
Disponível em: https://periodicos.unir.br/index.php/culturaefronteiras/index
o bispo e a comunidade local, após a missa com retorno a casa de seu Simão Arza e
Paula Arza, onde era servido a Chicha a todos.
com idade avançada meu bisavô faleceu no ano 1997 e logo algum tempo
depois minha bisavó falece em 2002, porém a tradição continuou firme sendo
realizada através, dos dois filhos mais velhos, sendo eles meu tio Sinforoso Arza e
minha avó Fidélia Arza Gualasua.
Figura 11-Os irmãos coordenadores dos festejos: Fidélia Arza ao lado de seus bisnetos
Gabriel Arza, Ruan Arza e a filha Tereza Arza, Sinforoso Arza com sua esposa
Fonte: Arquivo da autora (2025)
Antigamente, no tempo do meu bisavô, senhor Simão Arza, a música que
acompanhava as danças e os festejos era tocada ao vivo pelos devotos da
comunidade, os instrumentos tradicionais utilizados eram o bumbo, a caixinha e a
flauta. Meu bisavô era reconhecido como mestre na flauta, e seu talento encantava a
todos que o ouviam tocar. Com avançar do tempo e o falecimento dos músicos mais
antigos, a tradição foi substituída pela modernidade, e as músicas passaram a ser
produzidas por gravações por meio de CDs e, atualmente por pen drives, os quais
minha avó passou a comprar na cidade de Guayaramerin e San Joaquín, na Bolívia.
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CATÓLICOS NA CIDADE DE GUAJARÁ-MIRIM-RO FRONTEIRA BRASIL/BOLÍVIA
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Figura 12-O DVD com as músicas dos festejos
Fonte: Arquivo da autora (2025)
O festejo foi atualizado no decorrer dos anos, e sofreu mudanças por questões
familiares, e os preços dos alimentos, em decorrência do período da pandemia e a
própria idade avançada da minha bisavó. Por exemplo, os biscoitos de milho, devido
às questões climáticas, quase não se consegue o produto com os indígenas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O trabalho buscou responder o seguinte problema de pesquisa “como acontece
a tradição cultural boliviana dos festejos dos três santos católicos na cidade Guajará-
Mirim-RO fronteira Brasil/Bolívia?”. Ao recorremos ao levantamento bibliográfico,
entendemos a fronteira de Guajará-Mirim-RO/Brasil e Guayaramerín-Beni/Bolívia,
sendo uma fronteira que une, onde ela não é vista como uma barreira, mas um espaço
hibrido de culturas, línguas e identidade que me misturam.
A pesquisa etnografica foi importante, para que eu pudesse responder a
pergunta problema da pesquisa, no qual narro subjetivamente a minha vivência em
determinado contexto cultural, no entanto, não é um problema de pesquisa pessoal,
mas evidencia uma realidade cultural e social, ao apresentar a tradição cultural dos
festejos dos três santos católicos na cidade fronteiriça de Guajará-Mirim, destaco a
sua importância para mim e para minha família em apresentar uma cultura deixada
pelos meus bisavós a mais de 30 anos, mostrando que mesmo com a mudança
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territorial, trouxeram com eles seus costumes, modos e tradição, reafirmando sua
devoção na católica, através dessa tradição passada de geração para geração e
reforçando o orgulho de pertencer à cultura boliviana, com isso, afirmando o símbolo
de resistência da identidade cultural boliviana que prevalece firme em território
brasileiro há mais de 30 anos.
Desse modo, os festejos dos três santos católicos na fronteira é uma forma de
fortalecer a identidade e a cultura boliviana, dos imigrantes e descendentes bolivianos,
mas também incluem brasileiros que juntos passam a compartilhar essa interação
entre culturas, identidades e devoção que enriquece esse diálogo na fronteira.
REFERÊNCIA
ÁGUAS, Carla Ladeira Pimentel. A tripla face da fronteira: reflexões sobre o
dinamismo das relações fronteiriças a partir de três modelos de análise. Fórum
Sociológico [On-line], 23, 2013. Disponível em:
https://journals.openedition.org/sociologico/842#quotation. Acesso
em: 09 mai. 2025.
BEOZZO, José Oscar. Religiosidade Popular. Revista Eclesiástica Brasileira, [S.
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https://revistaeclesiasticabrasileira.itf.edu.br/reb/article/view/3624. Acesso em: 19 jun.
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Vozes, 2009.
RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo:
Companhia das Letras, 2006..
SANTOS, Silvio Matheus Alves. O método da autoetnografia na pesquisa
sociológica: atores, perspectivas e desafios. Plural, São Paulo, Brasil, v. 24, n. 1, p.
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https://revistas.usp.br/plural/article/view/113972. Acesso em: 8 jun. 2025.