Revista Culturas & Fronteiras – Volume 13 Nº 1- Dezembro/2025
Grupo de Estudos Interdisciplinares das Fronteiras Amazônicas - GEIFA /UNIR
Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Rondônia
Disponível em: https://periodicos.unir.br/index.php/culturaefronteiras/index
LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO EM MATEMÁTICA:
REFLEXÕES SOBRE O RACIOCÍNIO MATEMÁTICO E A
DISCALCULIA
LECTURA E INTERPRETACIÓN DE TEXTOS EM MATEMÁTICAS: REFLEXIONES
SOBRE EL RAZONAMIENTO MATEMÁTICO Y LA DISCALCULIA
Lizyane Camila Freitas dos Santos
1
Me. Gislaina Rayana Freitas dos Santos
2
Resumo: O presente artigo tem como intuito analisar e refletir sobre textos que
envolvem as contribuições da leitura e interpretação de texto para a construção
do raciocínio matemático na resolução de problemas matemáticos e a lacuna no
desenvolvimento do raciocínio lógico matemático para alunos com discalculia.
Destaca-se que o entendimento e formulação de problemas matemática
ancoram-se na compreensão e na capacidade de interpretação, como também,
a estrutura lógica e a precisão da matemática, contribuem para a clareza e a
coerência da comunicação. Nesse sentido, Língua Portuguesa e Matemática,
possuem uma intrínseca relação de suporte ou base para o raciocínio
matemático. Quando desenvolvidas de maneira transdisciplinar as concepções
são ampliadas. Nessa direção, o estudo configura-se como pesquisa
bibliográfica e documental, pois foram analisados leis, resoluções, artigos e
1
Bacharelado em Administração pela UNOPAR, Graduanda em Letras pela Universidade
Federal de Rondônia UNIR. E-mail: freitaslizyane@gmail.com
2
Mestre em Educação pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR); Especialista em
Metodologia do Ensino Superior e EAD; Especialista em Análise de dados e Matemática
Aplicada; Licenciada em Pedagogia e em Matemática. Professora da rede Estadual de ensino
SEDUC/RO. Membro do Grupo de Estudos Interdisciplinares das Fronteiras Amazônicas-GEIFA.
Editora da Revista Culturas & Fronteiras. E-mail: gislainasantos08@gmail.com. Lattes:
http://lattes.cnpq.br/7390210353402850 Orcid: https://orcid.org/0000-0002-0779-5411
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demais documentos para conhecer as investigações que visam relacionar as
disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática, relacionadas à elaboração,
construção e aplicação do raciocínio matemático ao contexto da discalculia. Os
resultados indicam a necessidade da estreita relação e da necessidade de
interação mútua entre as disciplinas de maneira colaborativa entre as duas.
Apesar de encontrarmos essa atuação colaborativa entre as disciplinas, ainda
nos tempos contemporâneos os saberes de Língua Portuguesa e Matemática,
estão em seus espaços por vezes isoladas, nesse sentido, é necessário práticas
pedagógicas transdisciplinares que interligam as disciplinas, perfazendo as
relações necessárias entre ambas.
Palavras-chaves: Leitura; Interpretação; Textos Matemáticos; Raciocínio
matemático; Interdisciplinaridade.
Resumen: Este artículo tiene como objetivo analizar y reflexionar sobre textos
que involucran las contribuciones de la lectura y la interpretación textual a la
construcción del razonamiento matemático en la resolución de problemas
matemáticos, y la brecha en el desarrollo del razonamiento lógico-matemático
en estudiantes con discalculia. Se destaca que la comprensión y la formulación
de problemas matemáticos se basan en la comprensión y la capacidad de
interpretación, así como en la estructura lógica y la precisión de las matemáticas,
lo que contribuye a la claridad y la coherencia de la comunicación. En este
sentido, la Lengua Portuguesa y las Matemáticas tienen una relación intrínseca
de soporte o base para el razonamiento matemático. Al desarrollarse de manera
transdisciplinaria, estas concepciones se amplían. En esta dirección, el estudio
se configura como una investigación bibliográfica y documental, ya que se
analizaron leyes, resoluciones, artículos y otros documentos para comprender
las investigaciones que buscan relacionar las disciplinas de la Lengua
Portuguesa y las Matemáticas con la elaboración, construcción y aplicación del
razonamiento matemático en el contexto de la discalculia. Los resultados indican
la necesidad de una estrecha relación e interacción mutua entre las disciplinas
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de manera colaborativa. Si bien encontramos esta interacción colaborativa entre
disciplinas, incluso en la actualidad, el conocimiento de la Lengua Portuguesa y
las Matemáticas a veces se encuentra aislado en su propio espacio. En este
sentido, son necesarias prácticas pedagógicas transdisciplinarias que
interconecten las disciplinas, estableciendo las relaciones necesarias entre ellas.
Palabras clave: Lectura; Interpretación; Textos Matemáticos; Razonamiento
Matemático; Interdisciplinariedad.
INTRODUÇÃO
Os diferentes saberes, que buscam conectar as disciplinas em busca de
um conhecimento global, estão na visão de muitos professores em um contexto
educacional contemporâneo no qual as disciplinas estão isoladas, como
acontece com a disciplina de Língua Portuguesa e Matemática, frequentemente
ensinadas de forma estanque, cada uma em seu espaço, no entanto, destaca-
se que os pilares complementares para a formação de indivíduos com raciocínio
lógico aguçado e capacidade de resolução de problemas necessitam que essas
disciplinas estejam intrinsecamente ligadas, pois a habilidade de interpretar
textos complexos, de articular ideias de forma clara e de compreender
enunciados é um pré-requisito para decodificar desafios matemáticos.
Nesse sentido, este artigo possui o foco em analisar e refletir sobre
textos que envolvem contribuições da leitura e interpretação de texto para a
construção do raciocínio matemático na resolução de problemas matemáticos e
na lacuna do desenvolvimento do raciocínio lógico matemático para alunos com
discalculia.
Destaca-se que o entendimento e formulação de problemas
matemáticos ancoram-se na compreensão e na capacidade de interpretação,
como também, a estrutura lógica e a precisão da matemática contribuem para a
clareza e a coerência da comunicação. Nesse sentido, Língua Portuguesa e
Matemática possuem uma intrínseca relação de suporte ou base para o
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raciocínio matemático. Concepção necessária com a transdisciplinaridade, essa
metodologia promove o diálogo entre as diferentes áreas do conhecimento,
defendendo a ideia da desfragmentação das disciplinas, para avançar no ensino
e aprendizagem.
Nessa direção, o estudo configura-se como pesquisa bibliográfica e
documental, pois foram analisadas obras escritas e documentais para conhecer
as pesquisas que visam relacionar as disciplinas de Língua Portuguesa e
Matemática relacionadas à elaboração, construção e aplicação do raciocínio
matemático. Os resultados indicam a necessidade da estreita relação e da
necessidade de interação mútua entre as disciplinas de maneira colaborativa
entre as duas. Apesar de encontrarmos essa atuação colaborativa entre as
disciplinas, ainda nos tempos contemporâneos os saberes de Língua
Portuguesa e Matemática estão em seus espaços, por vezes isoladas, nesse
sentido, são necessárias práticas pedagógicas transdisciplinares que interligam
as disciplinas, estabelecendo as relações necessárias entre ambas. O trabalho
encontra-se organizado em cinco tópicos. Este primeiro tópico é introdutório, o
segundo constitui na apresentação de contextos de leitura e interpretação de
textos para o campo matemático, o próximo tópico apresenta pesquisas que
relacionam a interpretação de textos para a construção do raciocínio
matemático. Após refletir sobre as conexões necessária entre Língua
Portuguesa e Matemática esse penúltimo tópico aborda as relações estabelecida
do raciocínio matemático nos alunos com discalculia e, por fim, apresentamos
as considerações que deram suporte às discussões.
LEITURA E INTERPRETÃO DE TEXTOS PARA O CAMPO MATEMÁTICO
Ao considerar o ensino e aprendizagem das disciplinas de Língua
Portuguesa e Matemática, é imprescindível salientar a aproximação de ambas
para a construção da formação plena do educando. A leitura para essa
perspectiva, constrói-se por meio do processo social e busca a construção de
sentido, intrinsecamente ligado ao desenvolvimento do pensamento e da
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linguagem (FREIRE, 2003; VYGOTSKY, 1991), campo que não se abordado
em profundidade; no entanto, cabe salientar a estreita relação entre esses
campos para a amplitude necessária para uma leitura que busca uma formação
ampla.
Nesse contexto, a leitura vai muito além de decifrar letras e códigos, o
que, para Kleiman (2002), “o ensino de leitura é fundamental para dar solução a
problemas relacionados ao pouco aproveitamento escolar: ao fracasso na
formação de leitores, podemos atribuir o fracasso geral do aluno no e grau”.
Primeiramente, partimos da ideia de leitura como prática social, Freire (2003),
pois ao ler de maneira aguçada, lançamo-nos às mudanças para em que,
ler é uma operação inteligente, difícil, exigente, mas gratificante.
Ninguém lê ou estuda autenticamente se não assume, diante do texto
ou do objeto da curiosidade a forma crítica de ser ou de estar sendo
sujeito da curiosidade, sujeito da leitura, sujeito do processo de
conhecer em que se acha. Ler é procurar buscar criar a compreensão
do lido; daí entre outros pontos fundamentais, importância do ensino
correto da leitura e da escrita. (FREIRE, 2003, p. 261).
Nesse contexto, ler com o objetivo de promover uma reflexão crítica
incentivará o aluno a questionar, justificar e procurar soluções adequadas para
o cenário apresentado em sua leitura. Isso fornecerá os instrumentos
necessários para uma compreensão crítica do texto e da realidade, capacitando-
o a agir no mundo.
É importante ressaltar que essa estratégia de vincular as disciplinas de
Língua Portuguesa e Matemática tem suas raízes na publicação dos Parâmetros
Curriculares Nacionais (PCN) em 1997. Isso ocorreu por meio de reflexões e
debates acadêmicos acerca da interdisciplinaridade e transdisciplinaridade,
sendo apoiado na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O objetivo é
ensinar essas matérias de forma mais contextualizada, promovendo o
desenvolvimento do pensamento crítico e sua conexão com as práticas sociais.
Edgar Morin (2015) sustenta que o conhecimento precisa ser constantemente
reavaliado e revisado pelo pensamento, que, por sua vez, é mais valioso do que
nunca para o indivíduo e para a sociedade.
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Assim como o capital, o pensamento crítico é enriquecido pelo
questionamento, pela dúvida, pela necessidade de descobertas, no entanto,
primeiramente, é preciso entender o que o texto está lhe requerendo, nessa
perspectiva, a resolução de um problema matemático raramente se inicia com
cálculos, suas raízes estão na compreensão do enunciado. Um aluno que não
consegue interpretar o que é solicitado, identificar os dados relevantes e discernir
a pergunta central do problema, dificilmente alcançará a solução correta. É nesse
espaço que a língua portuguesa se revela indispensável. Pois, sem uma lida
base em leitura e interpretação de texto, a matemática se torna um conjunto de
símbolos sem significados, e a resolução de problema um mero exercício de
adivinhação. Para Pólya (1995, p. 102) “É uma tolice responder a uma pergunta
que não tenha sido compreendida”.
Nesse contexto, Santos (2023) afirma que para que haja aprendizagem,
as ideias devem se articular mutuamente e apresentar ramificações. Assim, uma
ideia central não se limita a uma única disciplina, mas percorre um caminho que
transcende as fronteiras disciplinares.
E o professor com essa visão transdisciplinar precisa colocar-se na
posição de aluno, pois nesse espaço, conseguirá perceber seu ponto de vista,
compreendendo o que está na cabeça do aluno, para isso o professor deve
pensar em suas próprias experiências, nas dificuldades e sucessos em ao longo
de sua trajetória acadêmica o professor tenha vivenciado.
CONTRIBUIÇÕES PARA A CONSTRUÇÃO DO RACIOCÍNO MATEMÁTICO
Um dos grandes desafios da matemática escolar está em desenvolver o
raciocínio matemático nos alunos, ou seja, raciocinar matematicamente,
ancorados nas reflexões de Pólya (1995), em que consiste em construir
inferências justificadas, onde o aluno utiliza as informações matemáticas para
chegar a novas conclusões.
O raciocínio matemático é considerado essencial por diversos autores
para o progresso da aprendizagem em matemática. (OLIVEIRA, 2012, p. 3)
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define o raciocínio matemática como “um conjunto de processos mentais
complexos através dos quais se obtêm novas proposições (conhecimento novo)
a partir de proposições conhecidas ou assumidas (conhecimento prévio).
Destaca-se também que o raciocínio matemático consiste na
capacidade de apropriar-se da lógica em contribuição com o pensamento crítico
ao que tange à resolução de problemas com o intuito de construir, ampliar e
consolidar os conceitos matemáticos. Nesse sentido, partimos do ponto em que
raciocinar matematicamente consiste em fazer inferências justificadas (PÓLYA,
1995; OLIVEIRA, 2008; KLEIMAN, 2002), ou seja, apropria-se do conhecimento
matemático que conhecemos para chegar a novas conclusões de forma
justificada.
Várias pesquisas abordam a temática da construção de raciocinar
matematicamente, para este artigo, vamos refletir essa temática em relação à
Língua Portuguesa. Para tanto, foram destacadas quatro pesquisas, uma para
cada campo: Ensino Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio e Ensino
Superior.
Para o Ensino Infantil, os autores SIEVERT E RIBEIRO (2023) destacam
que o aprendizado da Matemática e da Língua Portuguesa está relacionado às
manipulações e interações que partem de objetos ou situações concretas, além
das interações sociais em sala de aula, na qual o aluno deve ser o centro do
processo ensino-aprendizagem. Segundo os autores, nesse período a criança
não é capaz de pensar de maneira formal, não apresenta o pensamento
hipotético-dedutivo.
para o Ensino Fundamental, PEREIRA & PONTES (2018),
desenvolvida com aluno do ano do ensino fundamental, os autores frisam que
os processos de raciocínio matemático surgem nos momentos de discussão
coletiva. As justificações apresentadas pelos alunos parecem emergir dos
momentos de discussão coletiva, essencialmente associadas aos princípios
referentes a solicitar a explicação do “porquê” e a valorizar contribuições
incorretas ou parciais, sendo suscitadas por ações de guiar e desafiar por parte
do educador.
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Nesse contexto, é importante ressaltar que as generalizações e
justificações que surgem durante uma unidade de ensino sobre sequência
possuem características bastante específicas para promover o raciocínio
matemático dos estudantes em sala de aula. Investigações futuras com
intervenções que visem generalizações e justificações noutros tópicos
matemáticos poderão robustecer os princípios de design e as suas relações com
as ações do professor, contribuindo para o conhecimento na área do raciocínio
matemático. Ao ponto de construir nesse aluno um “ouvinte inteligente”, em que
o interesse desse ouvinte seja primeiramente verificar se o presente passo do
argumento está correto e compreender o objeto desse passo, a fim de chegar
por meio de questionamentos aos resultados obtidos. Segundo Pólya (1995), um
professor inteligente precisa entender que:
Uma dedução corretamente apresentada no livro ou no quadro-negro
pode ser inacessível e pouco instrutiva se o objetivo dos passos
sucessivos for incompreensível, isto é, se o leitor, ou o ouvinte, o
conseguir entender como foi possível encontrar o argumento, se ele
não for capaz de apresentação nenhum indicio que lhe sirva para
encontrar por si só o argumento (PÓLYA, 1995, p. 102).
Nesse sentido, a interpretação de texto mostra sua importância na
resolução de problemas matemáticos, sendo esse o primeiro passo para
alcançar o objetivo necessário, pois pensar matematicamente trata-se de um
construto multifacetado que engloba processos cognitivos e metacognitivos,
construindo capacidades de controlar e regular o próprio pensamento durante a
resolução de problemas.
A próxima reflexão está posicionada no Ensino Médio com os autores
OLIVEIRA e LOPES (2012), a pesquisa analisou dois campos: a construção do
conhecimento matemático e a semântica dos termos utilizados na Matemática.
Para o primeiro item, a pesquisa aponta que as atividades de leitura e escrita
matemática parecem ter proporcionado ao aluno maior compreensão com
relação aos conceitos matemáticos, tendo sido um facilitador e um
potencializador da construção do conhecimento. Para o outro campo
pesquisado, a pesquisa aponta que as atividades proporcionaram aos alunos
maior compreensão com relação à linguagem utilizada na disciplina. Como
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também impulsionaram, nos alunos, maior consciência sobre a importância da
Matemática na vida diária, nas profissões, nas outras disciplinas, e no pleno
exercício da cidadania.
Em síntese, os dados da pesquisa indicam que um processo de
intervenção com Leitura e Escrita nas aulas de matemática do Ensino Médio
pode ser apontado como uma estratégia que contribui para repensar o processo
de ensino e aprendizagem desta disciplina, possibilitando aos alunos não
apenas a aquisição de conhecimentos e competências, mas também
convivência e realização individual, por meio de experiências inovadoras.
Por fim, o Ensino Superior, com base nas pesquisas de BRITO; FINI;
GARCIA (1994), para esta pesquisa, o objetivo foi explorar as relações entre a
solução de problemas (que evidenciam o raciocínio matemático) e o
desempenho verbal, foi realizado nos primeiros anos do curso de licenciatura em
matemática. Pontos apontados na pesquisa: a compreensão da natureza do
problema é tão importante para a solução do mesmo quanto a exigência de um
conjunto de habilidades matemáticas. Que a compreensão verbal do enunciado
do problema seja anterior à compreensão do problema, pois, segundo os
pesquisadores, é necessário um mínimo de habilidade verbal para possibilitar a
compreensão da natureza matemática do problema. que, o primeiro passo na
solução de problemas é a identificação de um conjunto de informações,
conduzindo para a compreensão sintática do problema, O próximo passo
consiste em representação interna (representações algébricas, matemática
geométrica e mista). Nesse sentido, constrói-se uma discriminação entre o
fundamental e o acessório, destacando os elementos importantes e
estabelecendo as reações mútuas.
Com isso, o sujeito percebe que os elementos fazem sentido em termos
matemáticos, ocorre nesse sentido a compreensão do problema e do movimento
para a solução. Esse movimento de compreensão de texto também pode ser
construído com o diálogo em grupo, como defendem SMOLE & DINIZ (2017),
onde crianças desenvolvem habilidades de raciocínio como: “investigação,
inferência, reflexão e argumentação”.
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Cabe um espaço para reflexões sobre os problemas matemáticos, onde
Smole (2017) teoriza como problemoteza, que consiste na coleção organizada
de problemas que ficam em uma caixa, como: problemas auxiliares; problemas
equivalentes; problemas rotineiros; problemas de determinação e problemas de
demonstração (POLYA, 1995).
Problemas auxiliares consistem no meio pelo qual tentamos chegar ao
nosso objetivo. “Aprender (ou ensinar) a manipular com inteligência problemas
auxiliares é uma tarefa importante” (PÓLYA, 1995, p. 119). No entanto, seguindo
as teorias desta autora, as vantagens de utilizar um problema auxiliar, utilizando
o resultado ou o método deste problema auxiliar, sendo introdutivo, é razoável
considerá-lo como a utilização para oportunizar familiaridade de métodos,
operações ou instrumentos que poderão ser utilizados na resolução do problema
original.
No que tange aos problemas equivalentes, é quando dois problemas
equivalem, ou seja, quando a resolução de um deles importa na resolução do
outro. Esses problemas são muito utilizados nas salas de aula, no entanto, ficar
apenas nesses exemplos pode não estimular todos os mecanismos para a
construção de um aluno questionador, pois inibe suas descobertas. É preciso
que o aluno seja estimulado a diversos contextos desafiadores e aguçado a
reflexões e questionamentos justificados.
Outro campo muito utilizado é o problema rotineiro, que consiste quando
o problema pode ser solucionado pela substituição de dados específicos no
problema genérico resolvido antes, ou pelo seguimento, passo a passo, de um
exemplo muito batido. Em contrapartida:
O ensino de matemática que se reduz ao desempenho mecânico de
operações matemáticas rotineiras fica bem abaixo do nível do livro de
cozinha, pois as receitas culinárias sempre deixam alguma coisa à
imaginação e ao discernimento do cozinheiro, mas as receitas
matemáticas não deixam nada a ninguém (PÓLYA, 1995, p. 124).
É preciso refletir na construção dos problemas de modo que neles sejam
apresentadas semelhanças na realidade, sem fixar apenas no cotidiano, com
enunciados ricos em detalhes e que exijam não apenas o lculo, mas a
interpretação de cenários complexos que estimulem o leitor (alunos que irão
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resolver os problemas) a descobertas significativas, forneça a dúvida com os
problemas e estimulem na busca de solucionar as dúvidas existentes.
O aprendizado do ensinante ao ensinar se verifica à medida em que o
ensinante, humilde, aberto, se ache permanentemente disponível a
repensar o pensado, rever-se em suas posições; em que procura
envolver-se com a curiosidade dos alunos e dos diferentes caminhos e
veredas, que ela os faz percorrer. (FREIRE, 2001, p. 259).
Freire nos estimula a repensar as práticas exercidas, pois o intuito da
prática é despertar no aluno a curiosidade, para que a resolução de problemas
possa ocorrer de maneira a problematizar, justificar, questionar e compreender
o contexto apresentado. Corrobora Santos (2020) que é preciso aceitar o fato de
que não se pode fugir das abstrações, hipertrofiando a importância do concreto,
ou seja, é preciso construir conhecimentos respeitando e analisando as
abstrações. Então, contextos abstratos se fazem necessários para a construção
do pensamento matemático.
Os dois últimos problemas estão na determinação e demonstração. Para
o problema de determinação, o foco consiste em determinar incógnitas de todos
os tipos, como também encontrar, calcular, obter, produzir, traçar, construir todos
os tipos de objetos. As partes principais deste tipo de problema: incógnita, dados
e condicionante.
os problemas de demonstração consistem em mostrar
conclusivamente que certa afirmativa, claramente enunciada, é verdadeira ou,
então, que é falsa. Nesse sentido, as partes principais para este problema
consistem na hipótese e na conclusão do teorema que tiver de ser provado ou
refutado.
RACIOCÍNIO LÓGICO COMO PILAR NA REDUÇÃO DE DIFICULDADES EM
DISCALCULIA
As reflexões das seções anteriores abordaram o contexto de prática que
envolvem interligação entre Língua Portuguesa e Matemática, para o raciocínio
lógico. Avançando no contexto da interação e construção do raciocínio lógico,
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para essa seção a intenção é refletir como o raciocínio lógico pode reduzir as
dificuldades apresentadas em alunos como discalculia.
Segundo Correia (2011), discalculia é uma dificuldade de aprendizagem
específica, diagnosticado por meio de testes padronizados e individualmente
verificando substancialmente se estão abaixo do esperado para sua idade,
escolarização e nível de inteligência DSM-IV (2002). Nesse contexto, para o
Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DMS) há três tipos de
transtornos específicos de aprendizagem: Transtornos da Leitura, o Transtorno
da Matemática e o Transtorno da Expressão.
Então, discalculia “É um problema causado por formação neurológica,
que se manifesta como uma dificuldade da criança em realizar operações
matemáticas, classificar números e colocá-los em sequência” (PERETTI, 2009,
p. 16). Para classificação Internacional de Doenças, CID-10, Gentile (2002)
compara a dislexia, que a dificuldade com o aprendizado da leitura e escrita, com
a discalculia, no sentido em que a falha na formação dos circuitos neuronais,
pois está no âmago de como é processada a informação para chegar à
aprendizagem, a Discalculia é classificada em graus: leve, médio e limite. Este
transtorno específico da aprendizagem atinge cerca de 3% a 6% da população
3
.
As crianças com Discalculia apresentam dificuldade no reconhecimento
do número e sua associação às grandezas correspondentes, pontos em que o
aprendizado da matemática fica deficitário, pois, a operação matemática se inicia
com o reconhecimento numérico. Outro elemento a ser desenvolvido para
intervir em mecanismos que reduzem a falta de compreensão do número e das
operações matemáticas relacionadas a posição espacial dos mesmos é que a
resolução de operações matemáticas necessidade da organização viso espacial
para organizar os números nas suas posições adequadas. Crianças com
Discalculia possuem dificuldades na compreensão do raciocínio envolvido, falha
3
Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-
38631557#:~:text=Mas%20h%C3%A1%20pessoas%20para%20quem,da%20popula%C3%A7%C3%A3o%2
0sofre%20de%20discalculia. Acesso: 24 jull 2025.
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na memória em curto prazo, o que exerce um papel fundamento no desempenho
matemático, na operação do raciocínio aritmético, do raciocínio matemático.
Nessa perspectiva o artigo apresenta uma intervenção amparada em
três vertentes: Matemática visual, Matemática no dia a dia e Motivação para o
aprendizado. Acreditando que quanto mais próxima a matemática estiver do
aluno, mais fluirá o aprendizado.
Matemática visual fazer uso de material concreto para ábaco, tangram,
material dourado, tabuadas adaptadas visualmente, calculadoras. Além disso, os
materiais manipuláveis podem ser um aliado do educador no ensino
aprendizagem, e, para os alunos com discalculia são extremamente importantes.
O foco com esse material consiste em estimular para além das contas, sendo
necessário verificar e compreender. Nesse campo de materiais manipuláveis que
o raciocínio matemático vai se construindo, no entanto, é preciso que a
manipulação dos objetos esteja despertando no aluno a curiosidade, que o faz
buscar novas descobertas.
Matemática para o dia a dia sugere que objetos do cotidiano possuem a
capacidade de dominar conceitos matemáticos por meio desses objetos, de
exemplos e de práticas que envolvem o dia a dia da criança, Coelho (2013).
Para Santos (2020, p. 150), “é de fundamental importância que se priorize a
utilização da Matemática como ferramenta de utilidade prática para a vida”.
Estimulando o aluno a expressar-se verbalmente o seu pensamento matemático,
por meio de diferentes abordagens e buscando que por meio do raciocínio
matemático o aluno possa detectar padrões.
O ritmo de cada criança e a motivação para o aprendizado são vertentes
que se unem nesse campo. A primeira vertente tange o ritmo da criança
respeitando o aprendizado como um processo individualizado; a segunda diz
respeito a estímulos para despertar o interesse para o aprendizado, ou seja,
motivá-los. Os jogos podem ser estimulo para o aprendizado de matemática,
sejam jogos de tabuleiros ou digitais.
Ao permitir que nossos estudantes pratiquem o pensamento crítico,
reconheçam padrões, solucionem problemas de maneira estrutura e organizada,
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SOBRE O RACIOCÍNIO MATEMÁTICO E A DISCALCULIA
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estamos não apenas enfrentando dificuldade pontuais, mas envolvendo a
interdisciplinaridade para todas as disciplinas. Isso conduz a um crescimento
mental completo de cada aluno, capacitando-os a ultrapassar obstáculos e
atingir seu potencial máximo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Construção em prática, aprender significativamente. Problemas
convencionais (exercício de fixação, exercício de memorização, problemas
desinteressantes, mal formulados, sem noção) habituam os alunos a fazer
contas, eles não pensam sobre os problemas. Problematizar o problema, colocar
três perguntas nos problemas, representar o problema por meio de desenho,
solicitar que ele construa problemas. No entanto, o educador precisa despertar
no aluno o interesse e a compreensão do problema a ser resolvido, ou seja, é
preciso que o aluno consiga compreender o que foi solicitado ao problema ao
mesmo tempo em que o aluno tenha interesse em resolver o problema. Para
isso, o problema precisa ser bem escolhido, de maneira a despertar no aluno o
interesse.
As disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática são aliadas
indispensáveis para o desenvolvimento do raciocínio matemático,
proporcionando melhor capacidade para a resolução de problemas. Destaca-se
que, para um bom desenvolvimento da resolução de problemas, é necessário
possuir proficiência em leitura, interpretação de texto e habilidade na produção
de texto, pois são estruturas necessárias, fornecendo a base extraída da Língua
Portuguesa, da qual a Matemática se apropria, para que os alunos com essas
estruturas possam alcançar o raciocínio lógico e poder resolver os desafios
matemáticos com mais precisão, clareza e justificação.
Valorizar, reconhecer e promover essa interdependência no processo
educacional é fundamental para a formação do indivíduo de maneira completa.
Dessa maneira, os educandos serão capazes de analisar criticamente o mundo,
de expressar suas ideias de maneira mais clara e de resolver complexos
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problemas em diversas esferas da vida. A transdisciplinaridade não é apenas
uma metodologia pedagógica, trata-se de um imperativo para a formação de
pensamentos autônomos e eficazes.
Diante das reflexões, podemos perceber que as situações sociais em
que os alunos atuam são prerrogativas desenvolvidas ao longo de sua trajetória
acadêmica nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática, então pensar
essas disciplinas de maneira interligada se faz necessário e urgente. A
intersecção entre essas disciplinas constitui-se em promover no aluno a
construção do pensamento complexo, pois elas (Língua Portuguesa e
Matemática) atuam como mecanismos cognitivos primários que moldam nossa
capacidade de interagir com o mundo de maneira lógica e expressiva.
Por fim, o educador, no momento em que constrói um exemplo na forma
de problema matemático, precisa ir além de apenas apresentar uma série de
exercícios descontextualizados, é preciso considerar os detalhes da resolução e
procurar torná-lo tão simples quanto possível; examine as partes mais amplas
da resolução a fim de abreviá-las, como também, perceber toda a resolução num
relance. Outro ponto, por ser modificar vantajosamente as partes maiores e
menores da resolução, melhorá-la toda e inseri-la o naturalmente quanto for
possível, nos seus conhecimentos adquiridos.
Este trabalho torna-se relevante para a área educacional, posto que os
profissionais da educação precisam de um olhar mais sensível no que concerne
à construção, elaboração, aplicação e reflexão dos problemas aplicados na sala
de aula para a construção do raciocínio matemático. Ademais, constata-se,
ainda, que é necessária uma reforma de pensamento na qual a desfragmentação
e transdisciplinaridade das disciplinas se fazem necessárias para o ensino e
aprendizado.
A desfragmentação de disciplinas consiste em atraso da educação, visto
que a integração amplia o campo de aprendizagem, principalmente ao que tange
a discalculia, pois a matemática desempenha um papel fundamental na vida do
indivíduo. Cabe frisar que a discalculia está relacionada com a dificuldade em
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matemática e ancorada no neurodesenvolvimento, destacamos que essa
dificuldade que não tem nada a ver com a falta de esforço ou falta de inteligência.
Avançar seguindo o tempo da criança, reforçado o aprendizado, num
ambiente acolhedor, com objetos e mecanismos que estimulem seu
aprendizado, motivando-os para avançar e despertando a curiosidade, são
caminhos a serem trilhados para reduzir os déficits que a discalculia causa.
Destaca-se que matemática não a busca de rapidez nos cálculos, ou seja, o
está relacionada com a velocidade e sim com o estudo de padrões, com a
percepção visual, com a criatividade.
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