sua vulnerabilidade” (Sulaiman et al., 2024, p. 05).
Nesse contexto, a inserção da Psicologia na área de estudo sobre desastres
ocorreu de forma tímida, tendo inicialmente seus olhares voltados apenas para o
indivíduo já acometido por um desastre, promovendo atendimento aos sobreviventes e
concentrando-se no trauma e nas reações individuais ao estresse causado por eventos
extremos, sendo essa abordagem fortemente influenciada pelo modelo biomédico,
predominante à época. Por muitos anos os órgãos responsáveis por agir em contextos
de desastres estiveram focados em “suprir três principais eixos, sendo eles: a provisão
de abrigo, alimentação e imunização contra epidemias. Embora essas ações fossem
fundamentais, acabaram por relegar a assistência psicológica a um plano secundário”
(CFP, 2021, p. 27).
Assis e Ferreira (2013) destacam que, apenas em 1987 a psicologia brasileira
envolveu-se no campo riscos emergência e desastres, com o acidente nomeado césio-
137, ocorrido em 13 de setembro de 1987, em Goiânia, tido como o maior acidente
radioativo do mundo, fora de uma usina nuclear. A partir desse evento, a Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade de Brasília (UNB) e a Universidade
Católica de Goiânia (UCG) se uniram com um grupo de psicólogos cubanos para dar
suporte às vítimas desse desastre em 1992. Ao passo que a psicologia brasileira se
movimentava para ocupar cada vez mais espaço nessa área do saber, outros avanços
surgiam na esfera global.
Destacam-se como datas importantes o Marco de Ação de Hyogo, o qual visava
a redução do risco de desastres entre 2005-2015, pactuado a partir do encontro de
diversos países membros da ONU. Posteriormente tem-se o marco de Sendai ( 2015-
2030), adotado a partir da 3º conferência Mundial sobre a Redução do Risco de
Desastres no qual os países acordaram em completar a avaliação e revisão da
implementação do Marco de Hyogo e ampliar suas ações para o cenário posterior a
2015 (CFP, 2021). Os marcos de Hyogo e Sendai postulam que para a redução desses
riscos, será necessária a implementação de diversas medidas econômicas, sociais,
estruturais, ambientais e muitas outras. Implica ainda a necessidade da erradicação da
pobreza, melhoria da educação e redução das desigualdades.
Ao se tratar da Psicologia das Emergências e Desastres, é comum que o
conceito seja compreendido de uma forma abstrata gerando dúvidas quanto à sua real
abrangência e aplicação. Isso se deve, em parte, ao fato de que esse campo é
relativamente recente dentro da Psicologia e tem suas raízes em outras áreas do
conhecimento, como a Geografia e a Sociologia, as quais se originaram nas décadas
de 1950 e 1970, respectivamente.