O relato sinaliza, por parte do professor, a não necessidade de buscar os
laudos, o que, inclusive, contraria o que muitos estudos evidenciam, a respeito, por
exemplo, de docentes que esperam a chegada do laudo para direcionar suas
práticas pedagógicas no âmbito da sala comum (CORRÊA, 2013; PIETROBOM,
2016, SOUZA, 2017, PUPO E BEZERRA, 2018). No sentido específico apresentado,
o relato evidencia que o suporte com a profissional especialista do AEE havia sido
suficiente. No entanto, o enunciado leve no contexto das práticas inclusivas, em
referência à condição de algum estudante, requer atenção, especialmente quando
associado ao enunciado sorte. Como pensar o estudante que não é leve? Que
práticas são direcionadas a estes e, como elas os subjetivam no âmbito da
inclusão/exclusão?
Estudos realizados principalmente a partir de 2008 (ano em que a PNEEPEI
operacionaliza o recorte de público da Educação Especial) confirmam que o laudo
nem sempre é condição para o acesso do estudante ao AEE, mas que, em algum
momento, ele precisa ser apresentado, o que também está relacionado ao registro
no Censo escolar (PIETROBOM, 2016; SOUZA, 2017; SANTOS, 2021; CORRÊA,
2013; CAMIZÃO, 2016; AGUIAR, 2015; DIAS, 2014; OLIVEIRA E MANZINI, 2016;
SZYMANSKI E TEIXEIRA, 2022; PLETSCH E PAIVA, 2018; FONTOURA E
SARDAGNA, 2021; OLIVEIRA ET. AL, 2016). Isso porque a vinculação do próprio
AEE a especificações diagnósticas, como também evidenciado nos estudos, faz
esse enlace. Alunos com laudo, ou “laudados” são forjados dentro de determinadas
condições de subjetivação, assim como também os sem laudo. Em relação à Nota
Técnica 04/2014 (2014), os estudos revelam tanto o desconhecimento como a
negligência em relação ao que ela determina, seja por parte de educadores, escolas,
redes municipais ou estaduais (conforme aparecem nas pesquisas).
A partir de Foucault (2017), é possível analisar a produção desses
documentos como estratégias biopolíticas de regulação dos indivíduos e da
população, um dispositivo do biopoder. Compreende-se que esses critérios são
necessários, pois os documentos garantem para grande parte da população o
acesso a direitos, mas é preciso que haja reflexões sobre as práticas que são
constituídas com base nestes documentos.
Nos exemplos apresentados pelos participantes de G1 ou G2 não houve
relatos de como as práticas acontecem a partir do laudo na sala de aula comum.
Ainda ao serem questionados se tinham acesso aos laudos, a resposta nos grupos