Experiência de cuidado na atenção psicossocial: uma análise
psicanalítica das narrativas de sujeitos diagnosticados com
esquizofrenia
Geovanna Rita Freire Matos
1
Halanderson Raimensson da Silva Pereira
2
Thiago Vargas Feiten Vargas
3
Resumo
A experiência do grupo Ouvidores de Vozes, desenvolvido em um Centro de Atenção
Psicossocial (CAPS), permitiu problematizar as tensões entre o discurso biomédico e a
escuta psicanalítica nos modos de cuidado em saúde mental. Sustentada pela
perspectiva da pesquisa psicanalítica e pela Análise do Discurso de linha francesa,
buscou-se compreender os modos de subjetivação produzidos nas relações
institucionais de cuidado, especialmente no que se refere à medicalização do
sofrimento psíquico, à centralidade diagnóstica e à hierarquização dos saberes no
interior do tratamento. As narrativas dos participantes põe em relevo a ambivalência
presente na relação com os psicofármacos, percebidos simultaneamente como recurso
terapêutico e como parte de uma experiência associada ao apagamento subjetivo e à
cristalização identitária. Em contrapartida, o grupo configurou-se como espaço de
circulação da fala, escuta e elaboração coletiva do sofrimento, favorecendo
deslocamentos em relação às identificações cristalizadas pelos diagnósticos,
evidenciando, assim, a importância de práticas clínicas comprometidas com a
singularidade do sujeito e com a construção compartilhada do cuidado no campo da
atenção psicossocial.
Palavras-chave: Psicanálise; Atenção Psicossocial; Saúde Mental; Ouvidores de
Vozes; Análise do Discurso.
Abstract
The experience of the Hearing Voices Group, developed within a Psychosocial Care
Center (CAPS, in the Portuguese acronym), made it possible to problematize the
tensions between biomedical discourse and psychoanalytic listening in mental health
care practices. Grounded in the perspective of psychoanalytic research and the French
school of Discourse Analysis, this study sought to understand the modes of
subjectivation produced within institutional care relationships, particularly regarding the
medicalization of psychic suffering, the centrality of diagnostic categories, and the
1
Graduanda do curso de Psicologia - Departamento de Psicologia na Universidade Federal de
Rondônia (DEPSI), membro do Centro de Estudo e Pesquisa da Subjetividade na Amazônia
(CEPSAM). E-mail geovannaritafm@gmail.com. Lattes:
http://lattes.cnpq.br/9524322670157791. ORCID: https://orcid.org/0009-0004-4555-8291.
2
Doutor e mestre em Psicologia. Professor Adjunto da Universidade Federal de Rondônia
(UNIR). Membro IF-EPFCL Brasil (Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano) e
do Fórum Porto-Rio. Membro do Grupo de Trabalho (43) Psicanálise, Política e Clínica da
Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Psicologia (ANPEPP). Vice-líder do
Centro de Estudo e Pesquisa da Subjetividade na Amazônia (CEPSAM). E-mail:
pereira.halanderson@gmail.com. Lattes: http://lattes.cnpq.br/7995879357865451. ORCID:
https://orcid.org/0000-0001-5928-4894.
3
Acadêmico do curso de Psicologia da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), no campus
de Porto Velho/RO. Membro do Centro de Estudo e Pesquisa da Subjetividade na Amazônia
(CEPSAM). E-mail: thiagovrg14@gmail.com. Lattes: http://lattes.cnpq.br/6220596197270639.
ORCID: https://orcid.org/0009-0009-5946-3724.
hierarchization of forms of knowledge within treatment settings. Participants’ narratives
revealed the ambivalence underlying their relationship with psychotropic medication,
perceived simultaneously as a therapeutic resource and as part of an experience
associated with subjective erasure and identity crystallization. In contrast, the group
emerged as a space for speech, listening, and the collective elaboration of suffering,
fostering shifts in relation to the fixed identifications sustained by diagnostic labels.
These findings underscore the importance of clinical practices committed to the
subject’s singularity and to the shared construction of care within the field of
psychosocial care.
Keywords: Psychoanalysis; Psychosocial Care; Mental Health; Voice Hearers;
Discourse Analysis.
Introdução
Ao longo da história, as concepções de loucura foram construídas de maneiras
distintas, em estreita relação com os contextos históricos e os regimes de saber
vigentes. Conforme aponta Pessotti (1994), embora certos elementos atravessem
diferentes períodos, as formas de compreender, explicar e descrever a loucura variam
significativamente, impossibilitando sua redução a uma perspectiva única e atemporal.
A partir do século XIX, com o fortalecimento do paradigma positivista e da medicina
moderna, o sofrimento psíquico passa a ser progressivamente apropriado pelo discurso
psiquiátrico, que o reorganiza segundo critérios de classificação, diagnóstico e
intervenção. Nesse processo, os determinantes sociais e culturais da loucura não são
eliminados, mas subordinados a uma racionalidade médico-científica que encontra no
manicômio o principal dispositivo institucional para a gestão, o tratamento e o controle
dos sujeitos considerados desviantes (Pessotti, 1996; Cunha, 1986). Nesse cenário, o
manicômio se consolidou como dispositivo central do modelo psiquiátrico, operando
não apenas como espaço de internação, mas também como mecanismo de controle
social que produz segregação, ruptura de vínculos e exclusão dos sujeitos de seus
contextos familiares e comunitários (Peters, 2022). No contexto brasileiro, a hegemonia
da psiquiatria no campo da saúde mental articulou-se a projetos políticos e sociais
atravessados por ideários higienistas e eugenistas, especialmente a partir do século
XIX (Costa, 2011). Conforme analisa Costa (1989), a lógica de higienização das cidades
e de ordenação dos corpos encontrou no manicômio um dispositivo privilegiado de
contenção social, destinado à administração de populações consideradas desviantes,
entre elas a loucura, a pobreza e a marginalidade. Assim, a figura do louco passa a
ocupar um lugar de anormalidade social, sendo associada à periculosidade, à
improdutividade e ao desvio moral.
As críticas ao modelo asilar, especialmente aquelas formuladas por Basaglia
(1985) e Amarante (1998), tensionaram a pretensa neutralidade científica da psiquiatria
e denunciaram seus efeitos de exclusão e desumanização. No Brasil, tais críticas
contribuíram para a consolidação da Reforma Psiquiátrica, movimento ético, político e
social que propôs o deslocamento do eixo do cuidado do isolamento manicomial para
práticas territoriais e comunitárias de atenção psicossocial. Seu principal marco legal, a
Lei nº 10.216/2001, redirecionou a assistência em saúde mental para a construção de
uma Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), tendo os Centros de Atenção Psicossocial
(CAPS) como dispositivos estratégicos desse novo modelo de cuidado.
Mais do que promover a desospitalização, a Reforma Psiquiátrica introduz a
noção de desinstitucionalização como processo ético-político de desconstrução da
lógica manicomial e da ideologia psiquiátrica que reduz o sujeito a um objeto
diagnóstico (Amarante, 1995; Braga, 2019). Nesse contexto, os CAPS (Centros de
Atenção Psicossocial) configuram-se como serviços substitutivos de base territorial e
comunitária, orientados pela construção de práticas interdisciplinares de cuidado em
liberdade e pela valorização da singularidade dos sujeitos em sofrimento psíquico.
Como afirmam Rotelli, Leonardis e Mauri (2001), tais serviços constituem-se como
“instituições para desinstitucionalizar”, propondo formas de cuidado centradas na
“existência-sofrimentodos sujeitos em sua relação com o corpo social. A clínica, nesse
paradigma, deixa de operar pela exclusão e pelo isolamento para sustentar a produção
de vínculos, sociabilidade e possibilidades de existência no território vivo da cidade
(Amarante, 1995).
Diante disso, esta pesquisa constitui-se como desdobramento do Projeto de
Pesquisa “Grupo de escuta de ouvidores de vozes e de seus familiares: uma proposta
de construção de dispositivo clínico em saúde mental", financiado pelo Programa
Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), desenvolvido em um CAPS II,
em Porto Velho/RO, a partir da experiência de grupos de escuta com sujeitos que
ouviam vozes. O estudo teve como objetivo analisar as experiências de usuários
diagnosticados com esquizofrenia, buscando compreender os processos de
acolhimento, as práticas diagnósticas e as linhas de cuidado que atravessam suas
trajetórias no contexto da atenção psicossocial.
Referencial teórico
Conforme problematizado por Foucault (2005), a psiquiatria moderna passa a
organizar a experiência da loucura a partir de dispositivos como o diagnóstico
nosográfico que, ao classificar e normalizar, produz modos específicos e limitadores de
compreender e intervir sobre o sofrimento psíquico. Nesse processo, a singularidade
dos sujeitos é subordinada à norma, e o indivíduo em sofrimento passa a ser apreendido
prioritariamente como objeto de saber e intervenção médico-institucional. Embora a
institucionalização da loucura tenha contribuído para a produção de um saber científico
sobre o sofrimento psíquico, ela também operou a redução do sujeito à condição de
caso clínico, legitimando práticas de isolamento, exclusão e contenção.
Nesse cenário, a psicanálise passa a ocupar lugar importante nos serviços
substitutivos de saúde mental ao sustentar uma prática clínica orientada pela escuta da
singularidade do sujeito. Diferentemente de abordagens centradas exclusivamente na
remissão sintomática e na adaptação normativa, a psicanálise propõe uma clínica que
considera o sofrimento psíquico como atravessado pela linguagem, pelo desejo e pelas
formas singulares de inserção do sujeito no laço social (Ribeiro, 2005; Gomes, 2009).
Nos CAPS, essa perspectiva possibilita a construção de dispositivos clínicos que
privilegiam a fala dos usuários e a produção de sentidos acerca de suas experiências
de sofrimento, deslocando o foco exclusivo do diagnóstico para os modos singulares
de subjetivação (Santos, Fonseca, Neto, 2020).
Entre os sujeitos atendidos nos CAPS, destacam-se aqueles diagnosticados com
esquizofrenia, frequentemente considerados paradigmáticos no campo das psicoses.
Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V), a
esquizofrenia é caracterizada como um transtorno mental crônico marcado por
alterações cognitivas, afetivas e comportamentais, envolvendo sintomas como delírios,
alucinações, discurso desorganizado, alterações motoras e sintomas negativos, como
embotamento afetivo e alogia. Embora tais descrições possuam relevância clínica e
diagnóstica, a psicanálise estabelece importantes tensionamentos em relação à lógica
descritiva e classificatória presente nos manuais psiquiátricos.
Pode-se pensar, por exemplo, no progressivo apagamento das discussões
etiológicas a partir do DSM-III, em favor de uma perspectiva descritiva e pretensamente
ateórica, voltada à universalização diagnóstica para diferentes campos profissionais
(Tenório, 2016). Mais do que representarem avanços neutros da ciência psiquiátrica,
tais mudanças revelam transformações nos modos de significar o sofrimento psíquico,
cada vez mais orientados por uma racionalidade diagnóstica e classificatória que tende
a deslocar o sujeito de sua própria experiência. Nesse processo, a singularidade do
sofrimento pode ser reduzida à categoria diagnóstica, reforçando práticas centradas
prioritariamente na medicalização e no controle sintomático.
Em contraposição a essa perspectiva, a psicanálise propõe uma leitura estrutural
da psicose, compreendendo-a não apenas como conjunto de sintomas, mas como uma
forma singular de relação do sujeito com a linguagem, com o corpo e com o laço social.
Lacan (1959/1960), ao retomar a teoria freudiana das psicoses, introduz o conceito de
foraclusão do Nome-do-Pai para pensar o mecanismo estrutural da psicose. Nesse
contexto, o delírio e as alucinações deixam de ser compreendidos exclusivamente como
déficits ou distorções da realidade, passando a ser considerados tentativas de
reorganização subjetiva diante da irrupção do real. Assim, a linguagem assume lugar
central na sustentação do sujeito psicótico e em suas possibilidades de elaboração do
sofrimento.
Nessa direção, a posição do analista diante da psicose aproxima-se daquilo que
Lacan denominou “secretário do alienado”, sustentando uma escuta que acompanha e
testemunha as construções discursivas do sujeito, sem reduzi-las imediatamente à
lógica patologizante (Lacan, 1955/1956). Tal perspectiva torna-se especialmente
relevante no contexto dos CAPS e dos grupos de escuta, como o Grupo de Ouvidores
de Vozes, na medida em se configura como um dispositivo clínico que oferece espaço
para o compartilhamento, a elaboração e a produção de sentidos sobre o sofrimento
psíquico e particularmente sobre a experiência da escuta de vozes. Quando orientados
pela ética da psicanálise, esses espaços favorecem a circulação da palavra e acolhem
a fala do sujeito para além da centralidade diagnóstica e da medicalização,
possibilitando que experiências como ouvir vozes possam ser enunciadas em sua
singularidade.
Metodologia
Este trabalho é um recorte da pesquisa intitulada "Grupo de escuta de ouvidores
de vozes e de seus familiares: uma proposta de construção de dispositivo clínico em
saúde mental", aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o número CAEE
59969222.1.0000.530, desenvolvida entre 2023 e 2025, que propunha a constituição
de um grupo de escuta de sujeitos que ouviam vozes no Centro de Atenção
Psicossocial, orientado pela psicanálise em sua dimensão ética, técnica e teórica.
No percurso do primeiro ano do projeto, a maioria dos participantes relatava ter
sido diagnosticada com esquizofrenia em algum momento do seu percurso de vida;
nesse sentido, também ampliou-se a participação do grupo a sujeitos com esse
diagnóstico. A escolha da análise dos discursos produzidos por esses sujeitos se deu
a partir da compreensão dos modos de subjetivação produzidos em torno do
diagnóstico de esquizofrenia, bem como dos efeitos da oferta de um espaço de escuta
orientado pela psicanálise.
O presente recorte refere-se ao período em que os pesquisadores
acompanharam o grupo, privilegiando a análise dos discursos produzidos por sujeitos
diagnosticados com esquizofrenia. Tal escolha sustenta-se na compreensão, própria à
psicanálise, de que o diagnóstico não esgota o sujeito, uma vez que este é concebido
como efeito da linguagem e atravessado pelo desejo, sendo a fala um lugar privilegiado
de inscrição de sua singularidade (Freud, 1912/1996; Lacan, 1975/1982). Nessa
perspectiva, as narrativas dos participantes foram tomadas como produções discursivas
constituídas no laço social, possibilitando interrogar os sentidos atribuídos ao
diagnóstico e às experiências de cuidado no campo da atenção psicossocial (Quinet,
2010).
O corpus da pesquisa se constituiu a partir dos registros das escutas realizadas
nos encontros grupais, sistematizados em diários clínicos, compreendidos como
instrumentos de registro e elaboração da experiência de escuta dos pesquisadores. Em
interlocução com Ferenczi (1990), parte-se do entendimento de que o registro clínico
não se limita à descrição objetiva dos acontecimentos, mas envolve os afetos,
impressões, movimentos transferenciais e elementos subjetivos mobilizados no
encontro com o outro. Além disso, o corpus também foi composto por entrevistas
individuais realizadas com participantes do grupo.
As entrevistas individuais tiveram como finalidade aprofundar aspectos das
trajetórias subjetivas dos participantes, possibilitando a elaboração livre de experiências
e sentidos atribuídos às próprias vivências. As entrevistas foram realizadas mediante
autorização prévia, com gravação e posterior transcrição. Todos os participantes
assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), garantindo o
anonimato e o respeito aos princípios éticos que orientam as pesquisas com seres
humanos, em consonância com a ética da psicanálise. Diante disso, os nomes
apresentados são fictícios e trechos das entrevistas foram adaptados com supressão
de informações identificáveis para garantia do sigilo ético.
Na pesquisa orientada pela psicanálise, o material produzido não é tomado como
dado objetivo a ser descrito de forma linear, mas como produção discursiva atravessada
pela linguagem, pela transferência e pelas formações do inconsciente. A posição do
pesquisador não se sustenta em uma pretensa neutralidade, mas em uma escuta
implicada, atenta aos significantes, repetições, silenciamentos e modos de enunciação
presentes nos discursos produzidos nos encontros.
O grupo configurou-se, portanto, não apenas como estratégia de investigação,
mas também como dispositivo clínico de escuta, possibilitando a circulação dos
discursos e a produção de sentidos acerca do sofrimento psíquico no contexto da
atenção psicossocial. Nesse espaço, os participantes puderam enunciar experiências
frequentemente atravessadas por processos de medicalização, estigmatização e
silenciamento, produzindo outras formas de significação sobre o diagnóstico e sobre
suas trajetórias de cuidado. Para a análise do material, utilizou-se a Análise do Discurso
(AD) de linha francesa, em interlocução com a psicanálise lacaniana. Tal perspectiva
compreende o discurso não como manifestação transparente da realidade, mas como
produção atravessada pela história, pela ideologia, pela linguagem e pelo inconsciente.
Segundo Pêcheux, o discurso constitui-se como efeito de sentido produzido entre
interlocutores, sendo atravessado por determinações históricas e ideológicas que
escapam ao controle consciente do sujeito (Maldidier, 2003; Orlandi, 2005).
Em interlocução com a psicanálise, a AD possibilita compreender o sujeito em
sua divisão entre consciente e inconsciente, considerando que a linguagem é
atravessada pelo desejo e pela falta. Para Lacan (1975/1982), o inconsciente estrutura-
se como uma linguagem, de modo que os discursos produzidos pelos sujeitos carregam
marcas de sua singularidade e de sua inserção no laço social. Dessa forma, a análise
discursiva permitiu interrogar os sentidos produzidos em torno do diagnóstico de
esquizofrenia, das experiências de sofrimento psíquico e dos modos de cuidado
construídos no CAPS.
Este trabalho se inscreve em uma perspectiva de pesquisa psicanalítica
implicada, compreendendo que os fenômenos institucionais e sociais não podem ser
dissociados das dimensões subjetivas, políticas e transferenciais que atravessam tanto
os participantes quanto o próprio pesquisador (Rosa, 2004; Rosa; Domingues, 2010).
Assim, mais do que descrever categorias diagnósticas, interessa compreender os
modos de subjetivação produzidos nas relações de cuidado, nos discursos
institucionais e nas experiências compartilhadas no grupo Ouvidores de Vozes.
A partir das escutas e da análise do material produzido, foram construídos dois
eixos temáticos de análise: 1) Caminhos subjetivos e experiências de sofrimento
psíquico; 2) O grupo de escuta como dispositivo de cuidado: entre o discurso médico e
a escuta psicanalítica.
Resultados e Discussão
Apresentação dos participantes
A escolha dos participantes da pesquisa se deu por conta da presença constante
desses sujeitos nos encontros do grupo de escuta, favorecendo a construção de
vínculos e possibilitando a elaboração de reflexões acerca de suas experiências.
Luna é uma mulher adulta que, à época, se encontrava na casa dos 30 anos de
idade. Era acompanhada pelo CAPS mais de dez anos e participava regularmente
das atividades coletivas ofertadas pelo serviço, espaço no qual mantinha relações de
amizade com grande parte dos participantes. Além disso, vivia em uma relação conjugal
há dois anos e não exercia atividade laboral.
Apolo tinha 53 anos no início do grupo. Natural de outro estado, mudou-se para
Porto Velho aos 30 anos, onde construiu sua trajetória de vida. Casado e inserido no
mercado de trabalho, participava regularmente das atividades do CAPS, frequentando
o serviço ao menos uma vez por semana.
Hermes, por sua vez, estava próximo dos 60 anos quando do início da pesquisa.
Presente desde os momentos iniciais de divulgação do grupo no CAPS, apresentou
interesse e sua participação foi muito ativa ao longo do projeto. Frequentava o serviço
desde 2018. Homem de ascendência indígena, vivia em união estável e era pai de cinco
filhos. A produção artística, especialmente por meio da pintura, constituía uma
importante fonte de renda e expressão subjetiva para ele.
Caminhos subjetivos e experiências de sofrimento psíquico
De início, parece-nos importante retomar as trajetórias de cuidado dos sujeitos
escutados no peodo anterior à entrada no Centro de Atenção Psicossocial. A partir
das narrativas de Luna e Apolo, foi possível observar que a entrada no serviço é
mediada por formações discursivas que, ao mesmo tempo em que legitimam o cuidado,
reinscrevem o sujeito em regimes de verdade que delimitam sua identidade e seu lugar
social. Em ambos os casos, esse movimento se ainda na juventude, quando os
primeiros sinais de um possível sofrimento psíquico começam a se manifestar.
No caso de Luna, as manifestações inicialmente percebidas como alterações
emocionais e comportamentais surgem em um contexto atravessado por diferentes
experiências de violência, perdas e intenso sofrimento subjetivo. Ao narrar sua
trajetória, Luna articula acontecimentos familiares, experiências traumáticas e episódios
de profunda angústia, que progressivamente passam a ser significados como sinais de
um “enlouquecimento”. Em sua fala, relata: “Eu tive várias vezes vontade de me matar
[...] eu começo a ficar numa crise de choro, uma depressão, e eu choro, eu vou pra
cama e fico deitada pra passar a vontade de me suicidar”. Em outro momento, ao
rememorar acontecimentos anteriores ao início do cuidado em saúde mental, relata:
“Quando eu perdi minha mãe, eu piorei muito [...] nunca mais voltei a ser a mesma”.
A fala da participante permite compreender como o sofrimento psíquico é
atravessado por elementos que excedem a descrição médica do diagnóstico,
evidenciando marcas subjetivas relacionadas às experiências familiares, às relações
afetivas e aos modos como o sujeito produz sentidos sobre si mesmo. Nesse contexto,
o diagnóstico de esquizofrenia aparece não apenas como nomeação clínica, mas como
significante que reorganiza a experiência subjetiva e os modos de reconhecimento
social do sofrimento.
O início de seu cuidado em saúde mental ocorre a partir de uma internação
psiquiátrica involuntária realizada por familiares, em um contexto em que o hospital
ainda aparecia como principal destino possível diante de experiências consideradas
socialmente incompreensíveis ou ameaçadoras. Tal percurso evidencia permanências
da lógica manicomial mesmo após os avanços da Reforma Psiquiátrica, demonstrando
como determinadas experiências de sofrimento continuam sendo rapidamente
capturadas por práticas de tutela e medicalização (Amarante; Nunes, 2018).
Após a internação, Luna recebe o diagnóstico de esquizofrenia e passa a circular
pelos serviços de saúde mental até sua inserção no CAPS. Ao longo de sua narrativa,
observa-se que o diagnóstico passa a ocupar lugar central na maneira como tenta
compreender a própria experiência. Em diferentes momentos, mobiliza categorias
psiquiátricas para nomear o sofrimento vivido: “Eu fui dada 10 anos só com depressão
[...] começou a dar bipolar, bipolar [...] eu mesma passando as pesquisas”.
Posteriormente, questiona: “Aripiprazol é esquizofrenia. Por isso que eu falando aqui,
porque afinal, o que eu tenho?”. Ao interrogar “afinal, o que eu tenho?”, Luna demonstra
uma tentativa de produzir uma nomeação possível para experiências que atravessam
sua trajetória.
Nesse movimento, o diagnóstico comparece simultaneamente como operador de
cuidado e como significante que reorganiza os modos de reconhecimento de si e do
próprio sofrimento. Conforme aponta Quinet (2009), na psicose, as nomeações
diagnósticas ultrapassam a dimensão classificatória, produzindo efeitos subjetivos e
formas específicas de inscrição no laço social.
Ao narrar sua trajetória, Apolo questiona as constantes alterações diagnósticas
e a ausência de explicações claras sobre seu sofrimento: “Ele fez um laudo baseado
no próprio psicólogo dele. É compatível? É compatível. Eu cheguei aqui e mudou; agora
não é mais compatível, é bipolar. Eu não sou médico, eu sou paciente, eu estou falando
o que acontece, né?” Em outro momento, afirma: “[...] em 1998, a doutora da unidade
me falou assim: ‘Dona, teu filho tem psicose’. que ela não me explicou nada que era
psicose. [...] Aqui no CAPS a doutora foi falar na psicose, no sintoma. Por é uma
doença que estou aprendendo agora, após 27 anos”.
Nos recortes discursivos de Apolo, observa-se uma posição de subordinação
frente ao saber médico, sustentada pela oposição “eu não sou médico/eu sou paciente”.
Ao afirmar “eu estou falando o que acontece”, entretanto, o participante sustenta a
legitimidade de sua própria experiência, tensionando a centralidade do saber
psiquiátrico na definição do sofrimento. Tal dinâmica pode ser pensada a partir do que
Lacan (1992) denomina discurso do mestre, estrutura discursiva na qual um saber
ocupa lugar de autoridade sobre o sujeito, reduzindo suas possibilidades de
enunciação.
As falas dos participantes revelam que o processo diagnóstico, embora
fundamental para a organização do cuidado em saúde mental, muitas vezes ocorre de
maneira pouco compartilhada, com escasso espaço para elaboração subjetiva acerca
daquilo que é nomeado como doença. Entretanto, nas narrativas escutadas, observa-
se que os sujeitos frequentemente recebem diagnósticos sem explicações claras,
produzindo inseguranças, dúvidas e dificuldades de apropriação de seus próprios
processos de sofrimento.
No grupo Ouvidores de Vozes, outros participantes também associaram sua
entrada no serviço a episódios de crise, internação ou encaminhamentos realizados por
familiares. Essas trajetórias evidenciam que o acesso ao cuidado frequentemente
ocorre de maneira tardia e centrada no manejo da crise, permanecendo atravessado
por práticas ainda vinculadas à lógica hospitalocêntrica.
Tal aspecto permite compreender como determinados modos de cuidado em
saúde mental permanecem organizados em torno da contenção do sintoma e da
centralidade diagnóstica, mesmo após os avanços promovidos pela Reforma
Psiquiátrica. Conforme discutem Amarante e Nunes (2018), a desinstitucionalização
não implica apenas o fechamento de hospitais psiquiátricos, mas a transformação das
racionalidades e práticas que historicamente sustentaram a exclusão da loucura.
As narrativas de Luna e Apolo indicam que o sofrimento psíquico não se reduz
às classificações diagnósticas que lhes foram atribuídas. Ainda que o discurso
psiquiátrico organize parte das experiências de cuidado, os sujeitos produzem leituras
próprias acerca daquilo que vivenciam, interrogando os sentidos do diagnóstico e
buscando construir formas singulares de significação para o sofrimento. É nesse ponto
que a psicanálise propõe um deslocamento importante em relação à lógica estritamente
nosográfica, ao compreender o sujeito para além da descrição sintomatológica e
considerar a singularidade de sua relação com a linguagem e com o sofrimento psíquico
(Camargo et al., 2021; Quinet, 2024).
Nesse contexto, as narrativas dos participantes evidenciam tensões entre o
discurso biomédico e a possibilidade de construção de espaços de escuta que permitam
ao sujeito produzir sentidos acerca de sua própria experiência. Em contraponto à lógica
exclusivamente descritiva dos manuais diagnósticos, a psicanálise propõe
compreender o sofrimento psíquico a partir da singularidade do sujeito e de sua relação
com a linguagem. Freud (1924), ao introduzir a noção de realidade psíquica, desloca o
entendimento da loucura da esfera puramente biológica para os modos singulares pelos
quais cada sujeito constrói sua relação com o mundo.
Na clínica das psicoses, esse movimento pode ser observado na possibilidade
de o sujeito produzir uma narrativa própria sobre sua experiência a partir da construção
de uma metáfora delirante. Tal aspecto aparece na fala de Luna ao rememorar uma
situação vivida durante a internação psiquiátrica:
“[...] eu era muito desconfiada, como até hoje eu sou [...] eu sabia que
tinha veneno dentro [...] depois ele me deu ovo e eu falei: ‘não vou
comer esse ovo porque esse ovo é de dinossauro’. Aí eu já estava com
minha cabeça ficando confusa”. (Luna)
A cena narrada retrospectivamente não aparece apenas como manifestação
desconectada da realidade, mas como tentativa de dar contorno a uma experiência de
estranhamento e desconfiança. Nessa perspectiva, o delírio pode ser compreendido
não apenas como sintoma a ser eliminado, mas como tentativa singular de elaboração
diante da irrupção do sofrimento psíquico (Quinet, 2024).
Assim, ao possibilitar espaços em que os sujeitos possam falar sobre suas
experiências para além da lógica estritamente classificatória, o grupo Ouvidores de
Vozes favorece deslocamentos importantes nas formas de significação do sofrimento.
Mais do que produzir respostas definitivas sobre o diagnóstico, a escuta sustentada no
grupo permite que os participantes construam narrativas próprias acerca de suas
trajetórias, reposicionando-se frente às experiências de sofrimento e às formas de
cuidado em saúde mental.
O grupo de escuta como dispositivo de cuidado: entre o discurso médico e a escuta
psicanalítica
Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) constituem dispositivos
estratégicos da Reforma Psiquiátrica brasileira, orientados pelos princípios da atenção
psicossocial, da desinstitucionalização e da produção de cuidado em liberdade (Brasil,
2011; Amarante; Nunes, 2018). Entretanto, as narrativas dos participantes revelam que,
mesmo no interior dos serviços substitutivos, persistem tensionamentos entre os
princípios da atenção psicossocial e práticas ainda atravessadas pela lógica
medicalizante e pela centralidade do saber médico.
Nesse contexto, o uso de psicofármacos ocupa lugar central nos percursos de
cuidado narrados pelos participantes, aparecendo simultaneamente como recurso de
estabilização do sofrimento e como experiência marcada por ambivalências. Luna, ao
rememorar o período em que fazia uso de Haloperidol, relata:
“Era o Haldol. [...] Eu estava muito agitada e eu lá. Porque é um
medicamento que, quando tomado, faz um efeito bem rápido. Mas ele
tem um efeito colateral muito forte. Então é meio complicado. Eu falei:
‘Não, doutora, pelo amor de Deus, eu não faço isso’. Me passa outro
remédio”. (Luna)
A fala evidencia que, embora o medicamento apareça associado ao controle da
crise, também comparece como experiência corporal invasiva, vinculada ao sofrimento
produzido pelos efeitos colaterais.
Experiências semelhantes emergem nas falas de Hermes. Durante um dos
encontros do grupo Ouvidores de Vozes, ele relatou sentir-se “estranho” e
“desanimado” após a substituição do Clonazepam pelo Rivotril, afirmando que a nova
medicação o impedia de se reconhecer como “ele mesmo”. Em outro momento, refere
sentir-se “contaminado pelas medicações”, expressão que associa o psicofármaco ao
apagamento da identidade e da vitalidade subjetiva.
Ao narrar sua compreensão acerca da própria condição, Hermes afirma que
“cura é não precisar tomar remédio, é poder voltar a trabalhar, viver uma vida normal”.
O enunciado revela que a ideia de melhora ultrapassa a remissão sintomática e se
articula à retomada dos vínculos sociais e da autonomia.
As experiências relacionadas às medicações também se articulam aos efeitos
produzidos pelo diagnóstico psiquiátrico e pela hierarquização dos saberes no interior
do CAPS. Em seu percurso de cuidado, o diagnóstico de esquizofrenia funciona
simultaneamente como possibilidade de acesso ao tratamento e como marca
estigmatizante que tende a capturar o sujeito em identificações rígidas.
Ao ser questionado sobre o que sentiu ao receber o diagnóstico, Hermes
responde: “senti desespero”. Nos encontros do grupo, tornaram-se evidentes as
dúvidas que persistiam em torno de sua condição, indicando que o diagnóstico operava
mais como um rótulo fixo do que como possibilidade de elaboração compartilhada sobre
o sofrimento vivido.
Desde o início de seu percurso no CAPS, a principal intervenção ofertada a
Hermes foi o uso contínuo de medicações psiquiátricas, enquanto os atendimentos
psicológicos ocorreram de maneira irregular. Ainda que demonstre desconforto em
relação ao uso diário dos medicamentos, Hermes não consegue imaginar a
possibilidade de viver sem eles. Assim, o medicamento aparece simultaneamente como
fonte de angústia e como algo incontornável. Entretanto, esse mal-estar pouco produz
deslocamentos no plano institucional do tratamento. Não se observa abertura
significativa para a construção de outros projetos terapêuticos ou para discussões
acerca da redução medicamentosa. A farmacoterapia permanece como eixo
predominante do cuidado.
A dificuldade em considerar outras modalidades de cuidado articula-se
intimamente à percepção de uma hierarquia institucional expressa por Hermes ao
afirmar: “se o psiquiatra manda, eu obedeço”. Há, nessa formulação, uma assimetria
importante entre médico e paciente, na qual a palavra do psiquiatra assume o estatuto
de verdade e comando. Essa lógica aproxima-se daquilo que a psicanálise lacaniana
compreende como discurso do mestre: um modo de funcionamento no qual o saber
técnico se apresenta como completo e normativo, organizando as práticas clínicas a
partir de procedimentos padronizados que pouco se abrem à singularidade do sujeito.
Como aponta Rinaldi (2015), esse tipo de prática pode operar mais como adestramento
para o laço social do que como dispositivo efetivo de cuidado, produzindo efeitos de
apagamento subjetivo e cronificação. Quando Hermes afirma que o CAPS se tornou
sua “segunda casa”, é possível entrever não apenas a dimensão de acolhimento
presente no serviço, mas também o risco de cristalização de um percurso único de
cuidado.
Entretanto, as narrativas produzidas no grupo Ouvidores de Vozes também
evidenciam movimentos de resistência frente à lógica medicalizante. Ao questionarem
diagnósticos, efeitos colaterais e formas de condução do tratamento, os participantes
produzem fissuras no discurso biomédico e reivindicam a legitimidade de suas próprias
experiências. É justamente nesse ponto que o grupo Ouvidores de Vozes assume
centralidade como dispositivo de cuidado dentro do CAPS. Diferentemente de espaços
organizados exclusivamente em torno da contenção do sintoma, o grupo constitui-se
como espaço de compartilhamento das experiências e construção coletiva de sentidos
sobre o sofrimento psíquico.
A escuta realizada no grupo evidencia que o compartilhamento das experiências
produz efeitos de reconhecimento e pertencimento entre os participantes. Ao falar sobre
o sofrimento em um espaço coletivo, muitos deixam de ocupar exclusivamente a
posição de “paciente psiquiátrico” para construir narrativas próprias acerca de suas
vivências. Nesse contexto, as oficinas e atividades coletivas ofertadas pelo CAPS
aparecem nas falas dos participantes como experiências importantes para a produção
de vínculos e circulação social. Atividades como yoga, coral, musicoterapia, biodança
e os próprios grupos terapêuticos são frequentemente descritas como espaços de
acolhimento, convivência e reconstrução da autoestima.
A experiência do grupo Ouvidores de Vozes evidencia, portanto, uma tensão
permanente entre modelos distintos de cuidado em saúde mental. De um lado,
persistem práticas atravessadas pela centralidade diagnóstica e pela medicalização do
sofrimento. De outro, emergem espaços de escuta que possibilitam ao sujeito construir
narrativas próprias sobre sua experiência e reposicionar-se frente ao tratamento. Assim,
mais do que negar a importância dos psicofármacos no manejo de crises, os relatos
apontam para a necessidade de práticas clínicas que não reduzam o cuidado à
estabilização sintomática, sustentando espaços em que a singularidade do sujeito
possa emergir e ser reconhecida.
Conclusões
A análise das experiências compartilhadas no grupo Ouvidores de Vozes
evidencia as tensões que atravessam o cuidado em saúde mental no contexto dos
CAPS. Embora os serviços substitutivos estejam orientados pelos princípios da atenção
psicossocial e da Reforma Psiquiátrica, persistem práticas marcadas pela centralidade
diagnóstica, pela medicalização do sofrimento e pela hierarquização dos saberes,
especialmente do saber médico.
As narrativas dos participantes demonstram que o uso de psicofármacos ocupa
lugar ambivalente nos percursos de cuidado: ao mesmo tempo em que pode oferecer
estabilização em situações de intenso sofrimento, também produz efeitos subjetivos
relacionados ao apagamento da identidade, à dependência institucional e à
cristalização diagnóstica. No caso de Hermes, observou-se como o diagnóstico
psiquiátrico e a relação hierárquica com o psiquiatra contribuíram para a construção de
posições marcadas pela obediência e pela dificuldade de elaboração sobre o próprio
sofrimento.
Entretanto, a experiência do grupo Ouvidores de Vozes também revelou
movimentos de resistência frente à lógica biomédica. O compartilhamento das
experiências e a construção coletiva de sentidos possibilitaram deslocamentos
importantes em relação às identificações cristalizadas pelo diagnóstico, favorecendo a
emergência de narrativas próprias sobre o sofrimento psíquico.
Nesse sentido, a escuta psicanalítica implicada mostrou-se fundamental para
sustentar espaços em que o sujeito pudesse ser reconhecido para além da categoria
diagnóstica. Mais do que propor uma recusa aos psicofármacos, a pesquisa aponta
para a necessidade de práticas clínicas comprometidas com a singularidade, com a
escuta e com a construção compartilhada do cuidado.
Agradecimentos
Este trabalho foi realizado com apoio da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e
Pesquisa da Universidade Federal de Rondônia (Propesq/UNIR), através do Programa
Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC).
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