Disputas discursivas, subjetivação e relações de poder na conservação amazônica

“O ‘cara’ que planta árvore é um trouxa?”

Autores

  • Marcelo Lucian Ferronato Ação Ecológica Guaporé; Universidade Federal de Rondônia, Programa de Pós-graduação em Conservação e Uso de Recursos Naturais - PPGReN
  • Emanuel Fernando Maia de Souza Universidade Federal de Rondônia. Programa de Pós Graduação em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente
  • Marília Lima Pimentel Cotinguiba Universidade Federal de Rondônia, Departamento de Línguas Vernáculas

DOI:

https://doi.org/10.47209/2594-4916.v.12.n.2.p.10-29

Resumo

Este artigo analisa como agricultores familiares da Amazônia rondoniense produzem sentidos sobre a restauração florestal a partir de seus discursos. Ancorado na Análise do Discurso de linha francesa, conforme formulada por Michel Pêcheux e desenvolvida por Eni Orlandi, o estudo examina as disputas discursivas que atravessam as práticas e percepções relacionadas à recomposição florestal entre agricultores com diferentes níveis de engajamento. A pesquisa foi realizada na Zona da Mata Rondoniense, abrangendo os municípios de Rolim de Moura, Castanheiras e Novo Horizonte do Oeste. A análise evidencia que as decisões ambientais não se explicam exclusivamente por fatores legais ou técnicos, mas se constituem a partir de atravessamentos ideológicos que moldam subjetividades, posições de sujeito e modos de ação no campo. O estudo contribui para a compreensão das relações de poder que operam na governança ambiental e nas políticas públicas de restauração ecológica no contexto amazônico.

Biografia do Autor

  • Marcelo Lucian Ferronato, Ação Ecológica Guaporé; Universidade Federal de Rondônia, Programa de Pós-graduação em Conservação e Uso de Recursos Naturais - PPGReN

    Sou biólogo, com graduação em Ciências Biológicas (2006), mestrado em Ciências Ambientais (2016) e doutorado em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente (2021), todos pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR). Minha trajetória profissional abrange atuação no setor privado, em atividades de licenciamento ambiental, e no setor público, em gestão territorial e ambiental. No terceiro setor, dediquei minha carreira à conservação e restauração de ecossistemas amazônicos. Atualmente, sou Diretor-Presidente da Ação Ecológica Guaporé (Ecoporé), onde também coordeno projetos do Programa Floresta e Agricultura, promovendo iniciativas em parceria com o setor público, organizações privadas, agricultura familiar, povos indígenas e comunidades tradicionais para fomentar práticas sustentáveis na Amazônia.No âmbito acadêmico, sou docente colaborador do Programa de Pós-Graduação em Conservação e Uso de Recursos Naturais (PPGReN/UNIR), na linha de pesquisa Ecologia e Conservação de Recursos Naturais. Além disso, integro a Junta Diretiva da Sociedade Iberoamericana e do Caribe de Restauração Ecológica (SER-IAC) e coordeno o Conselho de Coordenação da Aliança pela Restauração na Amazônia, reforçando meu compromisso com a restauração ecológica, o desenvolvimento sustentável e a governança ambiental na região amazônica.

  • Emanuel Fernando Maia de Souza, Universidade Federal de Rondônia. Programa de Pós Graduação em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente

    Agroecólogo com formação em agronomia e doutorado em Fitotecnia (Produção Vegetal) pela Universidade Federal de Viçosa. Atualmente, sou Professor Associado IV na Universidade Federal de Rondônia, onde leciono nos cursos de Agronomia e Engenharia Florestal. Também atuo como orientador de mestrado e doutorado no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente (PGDRA) e no Mestrado em Ciências Ambientais (PGCA). Minha atuação recente concentra-se em pesquisa e inovação voltadas para a agroecologia e a conservação da natureza, com foco na restauração de serviços ecossistêmicos e no desenvolvimento de sistemas agroflorestais. Participo e coordeno projetos com bioeconomia, monitoramento da biodiversidade e serviços ecossistêmicos na Amazônia Ocidental, buscando soluções sustentáveis que integrem práticas agrícolas e a conservação da natureza, em parceria com comunidades locais e agricultores familiares.

  • Marília Lima Pimentel Cotinguiba , Universidade Federal de Rondônia, Departamento de Línguas Vernáculas

    É professora associada da Universidade Federal de Rondônia desde 1998, instituição em que concluiu a licenciatura em Letras. É pós-doutora pelo Núcleo de Estudos Populacionais - NEPO/UNICAMP. Possui doutorado em Linguística e Língua Portuguesa pela UNESP, de Araraquara. Mestrado em Letras pela UNESP de São José do Rio Preto. Atualmente, é Reitora da Universidade Federal de Rondônia (mandato 2024-2028). Faz parte do corpo docente do Programa de Mestrado em Letras da Universidade Federal de Rondônia. É líder do grupo de pesquisa Migração, Memória e Cultura na Amazônia Brasileira. É coordenadora do Observatório das Migrações em Rondônia. É vice-coordenadora do Laboratório de de Línguas Originárias, Minorizadas e de Imigração - LLOMI. Realiza pesquisas na área de Linguística Aplicada e Análise do discurso de linha francesa. Realiza pesquisas na área de migração, políticas públicas e direitos humanos para imigrantes, ensino de Língua Portuguesa para imigrantes.

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Publicado

25/12/2025