Afeto e Resistência: maternidade negra e colonialidade na literatura
DOI:
https://doi.org/10.47209/cdp0gd34Keywords:
Maternidade; Corpos racializados; Feminilidade; Colonialismo.Abstract
O presente artigo analisa os contos Primeiras lembranças e Mulher, da obra A cor da ternura (2018), de Geni Guimarães, tendo como objeto a representação literária da maternidade e da feminilidade negra em um contexto atravessado pela colonialidade. A análise fundamenta-se em uma perspectiva interseccional que articula raça e gênero, buscando compreender como os corpos femininos negros são historicamente racializados, controlados e subalternizados por estruturas patriarcais e coloniais ainda vigentes na modernidade. O percurso teórico dialoga com autoras e autores como Bell hooks, Angela Davis, Lélia Gonzalez, Conceição Evaristo e Sirma Bilge, mobilizando conceitos como interseccionalidade, feminilidade racializada, escrevivência e maternagem negra. Metodologicamente, o estudo realiza uma leitura crítica e interpretativa das narrativas, atentando para seus elementos simbólicos e afetivos. Discute-se a maternidade como construção social marcada por discursos patriarcais que negaram às mulheres negras o direito à maternagem humanizada. Observa-se que, apesar da permanência do racismo e do sexismo, a escrita de Geni Guimarães inscreve espaços de resistência, afeto e reconstrução identitária.
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