A MALDIÇÃO DOS RECURSOS MINERAIS NA AMAZÔNIA BRASILEIRA: DESINDUSTRIALIZAÇÃO E O PROJETO GRANDE CARAJÁS
DOI:
https://doi.org/10.36026/r4kymr67Palavras-chave:
Mineração, Desenvolvimento, Doença Holandesa, Desindustrialização, ExploraçãoResumo
Esse trabalho analisa a relação da exploração mineral nos territórios em que atuam, compreendendo se esses empreendimentos, principalmente os grandes projetos, são uma dádiva ou maldição. Como opção metodológica foi utilizado para análise o Projeto Grande Carajás, situado na mesorregião sudeste do Pará, uma das últimas fronteiras de exploração dos recursos naturais do capitalismo moderno. A metodologia consistiu em uma revisão bibliográfica crítica, analisando por uma perspectiva fenomenológica as relações e tensionalidades do Estado, empresas, sociedade e ambiente natural. Verificamos se as instituições (públicas e privadas) estão comprometidas com desenvolvimento em devir, ou apenas na métrica do crescimento econômico de curto prazo. Pelos dados analisados não há dúvidas que no atual momento, final de 2020, o Brasil e a região em questão estão inseridas na tese da doença holandesa, grande influenciador da desindustrialização nacional, por permitir uma abordagem de empresa-sujeito ao território-objeto. Concluímos que devido as formas permissivas e políticas públicas extrativistas por parte do Estado, desconsiderando a sociedade e o ambiente natural, o Projeto Grande Carajás se apresenta como uma maldição dos recursos naturais. Os empreendimentos em questão não contribuem de fato para o desenvolvimento regional, (re)criando enclaves econômicos perversos para a sociedade, como a dependência econômica. Além disso, são responsáveis pelos mais diversos conflitos socioambientais, inerentes dessa atividade, até crimes corporativos como os casos da Samarco (2015) e Vale (2019). A mineração é intensiva em capital, logo, gera poucos empregos, e sua operação apresenta um elevado desperdício de natureza, portanto, é necessária uma ótica do território-sujeito a empresa-objeto.
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