QUE INFÂNCIA ESTAMOS CONSTRUINDO?
práticas patologizantes, discursos e modos de subjetivação de uma infância no contexto Neoliberal
DOI:
https://doi.org/10.47209/ar2d6353Palavras-chave:
Infância, Patologização, Subjetivação, Neoliberalismo.Resumo
A infância contemporânea é atravessada por distintos campos de saberes científicos que estabelecem condições de existência tidas como ideais, materializam tipos de cuidados e balizam práticas discursivas, permeando diversos dispositivos sociais. Dentre estes, as ciências médicas tem se estabelecido como saberes prioritários sobre o sujeito infantil, estabelecendo padronizações e classificações para os mais diversos aspectos da vida cotidiana. Assistimos a uma crescente prática diagnóstica, em que fenômenos do desenvolvimento, da aprendizagem, e mesmo aspectos relacionais, são compreendidos e significados a partir de categorias nosográficas, num processo de medicalização e patologização da infância. A medicina, ao produzir sujeitos compatíveis com as exigências do sistema neoliberal, tem se estabelecido como estratégia de governo. Falar sobre os modos de subjetivação infantil implica, antes de tudo, compreender a infância como uma construção histórica que, na contemporaneidade, é atravessada pelos efeitos da racionalidade neoliberal. Somente a partir dessa compreensão é possível analisar os diversos dispositivos e tecnologias que operam em seu governamento, dentre eles a medicina social e a psiquiatria, cujos efeitos incidem sobre a constituição dos sujeitos infantis. Ancoradas nessa retórica argumentativa, apresentaremos a pesquisa: Os sentidos atribuídos à infância – o discurso de cuidadores e profissionais da educação, em que foram entrevistados familiares e educadores e realizada uma análise das práticas discursivas. Como resultado, essa análise demonstrou o processo de individualização das causas da não-aprendizagem, a naturalização de parâmetros biomédicos e a centralidade de categorias diagnósticas nos discursos, por meio das quais os sujeitos infantis são significados. Mais que descrições, essas categorias orientam práticas, organizam instituições e produzem uma infância contemporânea e modos específicos de subjetivação.
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