LÁ ONDE SINGRA O RIO TAPAJÓS
ENCANTARIAS, ENCANTADOS E PERSPECTIVISMO AMERÍNDIO EM SABEDORIA DAS ÁGUAS, DE DANIEL MUNDURUKU
DOI:
https://doi.org/10.47209/xgbb9q94Palavras-chave:
Encantarias, Encantados, Perspectivismo Ameríndio, Daniel MundurukuResumo
O presente estudo tem como objetivo central analisar a narrativa Sabedoria das águas (2004), de Daniel Munduruku, refletindo sobre as questões que envolvem tanto as encantarias e os encantados, quanto o perspectivismo ameríndio. Ao longo da análise, alicerçada em uma pesquisa bibliográfica, compreendemos que o rio Tapajós é concebido como um sábio que, para o povo munduruku, é um velho ancestral e espaço das encantarias, um lugar proporcionador de devaneios capazes de redimensionar e transgredir a experiência humana acerca do próprio viver e existir. Os ancestrais encantados, sobretudo o gavião-real e a onça branca, surgem como uma forma de rememorar ao personagem Koru a importância de sua tradição e cultura indígenas. Eles estabelecem contato por intermédio do sonho que se configura enquanto devaneio onírico capaz de potencializar a evocação das encantarias, quebrando a regularidade de uma experiência corriqueira nas matas e rios amazônicos
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