OPRESSÕES INTERSECCIONAIS EM AMADA, DE TONI MORRISON
DOI:
https://doi.org/10.47209/9zk7ve53Palavras-chave:
Feminisno negro, Interseccionalidade, Amada, Toni MorrisonResumo
O racismo percebido dentro dos primeiros movimentos feministas, notadamente nos Estados Unidos e Europa, entre os séculos XIX e XX, evidenciou a necessidade de vozes femininas negras se levantarem em discussões sobre a não universalização do conceito de mulher, já que o que as feministas brancas de classe média e alta reivindicavam não dizia respeito às mulheres não brancas. (Davis, 2016; hooks, 2020). Crenshaw (1989) ponderou que a situação das mulheres negras não podia ser entendida somente pelo viés sexista, mas deveria ser olhada por um prisma interseccional, já que são afetadas de outras formas, como pelo racismo, pelo classismo, etc. Com base nisso, essa pesquisa analisa o romance Amada (de 1987), de Toni Morrison, que tematiza protagonistas femininas negras durante e após o período de escravidão negra nos Estados Unidos, aliando as ideias do feminismo negro, com autoras como Davis (2016), hooks (2018, 2019, 2020), às de interseccionalidade, com foco em autoras como Crenshaw (1989 e 1991), Akotirene (2019), Bilge e Collins (2021). A análise revela que Sethe, protagonista, carrega traumas da escravidão e sofre opressões interseccionais, sendo mulher, negra, pobre. A solidariedade entre mulheres negras foi a cura e a reconstrução da identidade de Sethe. A pesquisa destaca como o apoio mútuo é essencial para superar as múltiplas formas de opressão enfrentadas por Sethe.
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