RECONFIGURAÇÕES DO ESPAÇO DOMÉSTICO EM VERMELHO AMARGO

CORPO, MEMÓRIA E EXPERIÊNCIA TOPOFÓBICA

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47209/m1371e60

Palavras-chave:

Vermelho amargo; Espaço doméstico; Corpo; Memória; Topofobia.

Resumo

O presente artigo insere-se no campo dos estudos sobre espaço e literatura, articulando fenomenologia do espaço e geografia humanista para analisar a construção do espaço doméstico no romance Vermelho amargo, de Bartolomeu Campos de Queirós. Busca-se compreender como a casa, inicialmente configurada como centro simbólico de intimidade, é progressivamente reconfigurada no romance em decorrência da perda materna e das transformações nas relações familiares. A análise evidencia que o espaço doméstico deixa de operar como abrigo estável e passa a ser marcado por um processo de esvaziamento afetivo, no qual corpo e memória assumem papel central na inscrição da falta. Identifica-se ainda a emergência de uma topofobia silenciosa, que reorganiza a relação entre sujeito e espaço e tensiona a experiência do habitar. Conclui-se que o desamparo no romance não se configura apenas como efeito da perda, mas como condição estruturante da experiência narrativa e da constituição subjetiva do protagonista, ressaltando a centralidade do espaço na produção de sentido.

Biografia do Autor

  • Solange Viaro Padilha, PUCPR

    Possui Doutorado, Mestrado e Graduação em Letras pela Universidade Federal do Paraná. Concluiu o curso de Pós-graduação Lato Sensu Interdisciplinar em Artes e Ensino das Artes pela FAP, atual UNESPAR. Professora do curso de Letras (PUCPR), ministra disciplinas de Língua Inglesa e suas literaturas. 

Referências

BACHELARD, Gaston. A filosofia do não; O novo espírito científico; A poética do espaço. Seleção de textos de José Américo Motta Pessanha; trad. de Joaquim José Moura Ramos (et al.). São Paulo: Abril Cultural, 1978.

BRANDÃO, Luís Alberto. Teorias do espaço literário. São Paulo: Perspectiva, 2013.

BRANT, Fernando; NASCIMENTO, Milton. Encontros e despedidas. Intérprete: Milton Nascimento. In: NASCIMENTO, Milton. Encontros e despedidas. Rio de Janeiro: PolyGram, 1985.

MEIRELES, Cecília. Obra poética. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 1986.

MERLEAU-PONTY, Maurice. Fenomenologia da percepção. Trad. Carlos Alberto Ribeiro de Moura. 2.ed. São Palo: Martins Fontes, 1999.

QUEIRÓS, Bartolomeu Campos de. Vermelho amargo. São Paulo: Cosac Naify, 2011.

SALMOSE, Niklas. Nostalgia Makes Us All Tick: A Special Issue on Contemporary Nostalgia. Humanities, 2019, 8(3), 144; DOI: 10.3390/h8030144. Disponível em: https://www.mdpi.com/2076-0787/8/3/144. Acesso em: 4 mar. 2026.

TRIGG, Dylan. Topophobia: A Phenomenology of Anxiety. London, New York: Bloomsbury, 2017.

TUAN, Yi-Fu. Espaço e lugar: a perspectiva da experiência. Trad. Lívia de Oliveira. São Paulo: DIFEL, 1983.

TUAN, Yi-Fu. Landscapes of Fear. Minneapolis: University of Minnesota Press, 2013.

TUAN, Yi-Fu. Topofilia: um estudo da percepção, atitudes e valores do meio ambiente. Trad. Lívia de Oliveira. São Paulo: DIFEL, 1980.

Downloads

Publicado

04/10/2026

Edição

Seção

A COMPLEXIDADE DO HUMANO EM VERMELHO AMARGO, DE BARTOLOMEU CAMPOS DE QUEIRÓS

Como Citar

RECONFIGURAÇÕES DO ESPAÇO DOMÉSTICO EM VERMELHO AMARGO: CORPO, MEMÓRIA E EXPERIÊNCIA TOPOFÓBICA. (2026). Revista De Estudos De Literatura, Cultura E Alteridade - Igarapé, 19(01), 47-61. https://doi.org/10.47209/m1371e60

Artigos Semelhantes

21-30 de 129

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.