RECONFIGURAÇÕES DO ESPAÇO DOMÉSTICO EM VERMELHO AMARGO
CORPO, MEMÓRIA E EXPERIÊNCIA TOPOFÓBICA
DOI:
https://doi.org/10.47209/m1371e60Palavras-chave:
Vermelho amargo; Espaço doméstico; Corpo; Memória; Topofobia.Resumo
O presente artigo insere-se no campo dos estudos sobre espaço e literatura, articulando fenomenologia do espaço e geografia humanista para analisar a construção do espaço doméstico no romance Vermelho amargo, de Bartolomeu Campos de Queirós. Busca-se compreender como a casa, inicialmente configurada como centro simbólico de intimidade, é progressivamente reconfigurada no romance em decorrência da perda materna e das transformações nas relações familiares. A análise evidencia que o espaço doméstico deixa de operar como abrigo estável e passa a ser marcado por um processo de esvaziamento afetivo, no qual corpo e memória assumem papel central na inscrição da falta. Identifica-se ainda a emergência de uma topofobia silenciosa, que reorganiza a relação entre sujeito e espaço e tensiona a experiência do habitar. Conclui-se que o desamparo no romance não se configura apenas como efeito da perda, mas como condição estruturante da experiência narrativa e da constituição subjetiva do protagonista, ressaltando a centralidade do espaço na produção de sentido.
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