Mulheres em perspectiva: colonialidade, raça e gênero em “O baile de Celina” de Lília Momplé

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47209/aw6yz193

Palavras-chave:

Colonialidade;, Literatura africana, Mulher negra , Racismo., Gênero

Resumo

Este artigo analisa “O baile de Celina, um dos contos pertencentes a obra Ninguém matou Suhura (1988) da escritora moçambicana Lília Momplé, com o objetivo de investigar como a narrativa evidencia os efeitos da colonização portuguesa sobre as relações de raça, gênero e pertencimento social no contexto moçambicano colonial. O texto literário é compreendido como espaço de denúncia das hierarquias raciais e das formas de exclusão impostas às mulheres negras no interior do aparelho colonial, revelando a lógica da inclusão limitada e da produção do não-lugar. A análise é fundamentada nos estudos pós-colonial, a partir das considerações de Fanon (2008), Bhabha (1998), e decolonial feminista das observações de Lugones (2020), entre outros teóricos, mobilizando conceitos como colonialidade, racialização, assimilação e não-pertencimento. Metodologicamente, adota-se uma leitura crítica baseada nos pressupostos citados, articulando o exame dos elementos narrativos do conto ao contexto histórico-social da colonização portuguesa em Moçambique. Conclui-se que a escrita de Lília Momplé reinscreve experiências historicamente silenciadas, afirmando a centralidade da autoria feminina africana na revisão crítica das páginas da colonização e na problematização das violências simbólicas e materiais que atravessam os corpos femininos negros.

Biografia do Autor

  • Vanessa Bastos Lima, UERN

    Graduada em Licenciatura em Letras Vernáculas pela Universidade Estadual de Feira de Santana, especialista em Estudos Literários também pela Universidade Estadual de Feira de Santana. Participou do projeto: Imagens em Movimento - Aspectos da Literatura Brasileira no Cinema Nacional, coordenado pelo Prof. Dr. Cláudio Cledson Novaes. Foi bolsista de iniciação científica com a pesquisa intitulada: Retratos da Mulher Sertaneja: a figura feminina nas obras Deus e o diabo na Terra do Sol e Luzia-Homem. Mestre em Crítica Cultural pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Doutora em Letras (Literatura) pelo Programa de Pós-graduação em Letras (PPGL-UERN).Foi professora efetiva de Língua Portuguesa do Estado da Bahia, atuando no Colégio da Polícia Militar Diva Portela, em Feira de Santana (2008 -2015), e professora substituta da área de Literatura da Universidade do Estado da Bahia, Campus XXIII-Seabra (2011- 2014). Foi docente substituta de Literatura da UEPB, campus VI, (2014 -2015), e professora efetiva de Língua Portuguesa da Prefeitura Municipal de João Pessoa( 2015 - 2018 ), além de atuar como docente substituta de Língua Portuguesa do IFPB campus Cabedelo (2016 - 2018); Atualmente é Professora adjunta efetiva de Literaturas em Língua Portuguesa da Universidade do Estado Rio Grande do Norte (UERN) , lotada no Campus Avançado de Pau dos Ferros (CAPF), no Departamento de Letras Vernáculas (DLV). Professora do quadro permanente do Programa de Pós-Graduação em Letras PPGL (UERN), pertencente a linha Texto literário, crítica e cultura , Atuando em pesquisas voltadas para Literatura Brasileira Contemporânea, Literatura afro-brasileira, com projeto de pesquisa voltado para o estudo de Romances Históricos em Língua Portuguesa produzidos por autores contemporâneos.

  • Maria Cristina da Silva, UERN

     Mestranda em Letras pelo Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL\UERN). Pós-Graduanda em Literatura e Ensino pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia  do Rio Grande do Norte (IFRN). Graduada em Letras com habilitação em Língua Portuguesa pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Ex-bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência - PIBID, subprojeto de língua portuguesa núcleo de Pau dos Ferros - RN,  edição 2022-2024. Atua em pesquisas voltadas para a Literatura Afro-brasileira.

  • Francisco Vinícius Alves da Silva, UERN

    Mestrando em Letras pelo Programa de Pós-graduação em Letras (PPGL/UERN). Especialista em Literatura e Cultura pela Faculdade Focus. Graduado em Letras - Língua Portuguesa pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). É Pesquisador na área de Literatura Afro-brasileira Contemporânea. Poeta Potiguar com publicações em Antologia de Poesia Brasileira Contemporânea.

Referências

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BHABHA, Homi K. O local da cultura. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1998.

CRUZ, Juliana das Neves. Noémia de Sousa, Lília Momplé e Paulina Chiziane: um breve percurso da escrita feminina em Moçambique. Revista FT: Linguística, Letras e Artes, v. 27, n. 126, set. 2023. (Publicado em: 14 set. 2023). Disponível em: https://revistaft.com.br/noemia-de-sousa-lilia-momple-e-paulina-chiziane-um-breve-percurso-da-escrita-feminina-em-mocambique. Acesso em: 10 de janeiro de 2026.

FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. Salvador: EDUFBA, 2008.

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LUGONES, María. Colonialidade e gênero. In: HOLLANDA, Heloisa Buarque de (org.). Pensamento feminista hoje: perspectivas decoloniais. Rio de Janeiro: Bazar: 2020. p. 52-83.

MOMPLÉ, Lília. Ninguém matou Suhura. São Paulo: Editora Funilaria, 2022.

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Publicado

05/08/2026

Como Citar

LIMA, Vanessa Bastos; SILVA, Maria Cristina da; SILVA, Francisco Vinícius Alves da. Mulheres em perspectiva: colonialidade, raça e gênero em “O baile de Celina” de Lília Momplé. Revista do Centro de Estudos da Linguagem da Fundação Universidade Federal de Rondônia, Porto Velho, v. 13, n. 1, p. 149–166, 2026. DOI: 10.47209/aw6yz193. Disponível em: https://periodicos.unir.br/index.php/RE-UNIR/article/view/9096. Acesso em: 5 ago. 2026.

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