A INDÚSTRIA CULTURAL E A CULTURA DA GLOBALIZAÇÃO
DOI:
https://doi.org/10.36026/z22bch87Palavras-chave:
Pensamento geográfico, Técnica, Consumo, Cultura global, CiberculturaResumo
Através da nova geografia cultural, desvelam-se as expressões humanas e cotidianas na superfície terrestre; dentre elas, esmiúça-se a indústria cultural imersa no mundo global. Dito isso, operam-se duas análises: a globalização da cultura e a cultura da globalização. A globalização torna-se instrumento de massificação e de padronização da vida em direção do império capitalista do consumo. Por meio dos mecanismos de replicação, reprodução e repetição e das técnicas de publicidade, de propaganda e de mercantilização, o sistema global controla as consciências e os comportamentos. Disso, os aparelhos digitais, as inteligências artificiais, a robótica e demais dispositivos inundam o cotidiano do mundo circuntécnico. Assim, ligada à cibercultura, a cultura global torna-se soberana das dinâmicas urbanas, territoriais e sociais. O papel da geografia está em expor a indústria cultural em seu maquinário global de controle de todos os locais do planeta. Com isso, por uma perspectiva crítica, alerta-se sobre a violência do consumismo cultural pela dominação dos sujeitos e pela produção das subjetividades.
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